JPOD_DOUGLAS COUPLAND


Li finalmente, em edição de bolso, o JPOD de Douglas Coupland. O livro transporta-nos para o interior de uma empresa de jogos digitais apresentando um conjunto de personagens alucinantes (Cowboy, Bree, John Doe, Evil Mark, Kaitlin e Ethan, o narrador). Cartoons vivos que nos vão deliciar com as suas idiossincrasias. Com a ironia habitual o autor canadiano consegue mostrar bem como as sub culturas de jogos são muitas vezes tipificadas e vazias, como o marketing e a gestão de projecto é deixada a cargo de intuições, caprichos e sabores pessoais… como muitos investigadores tem vindo a alertar nestes últimos anos para a mediocridade do sector também Douglas Coupland parece querer dizer, através da sua ficção, que é melhor estudar o mercado do que deixarmo-nos contaminar por preconceitos pessoais. Ora, os criadores de jogos de Coupland são ironicamente uma parábola à forma como se trabalha actualmente na indústria de jogos. Sem investigação e experimentação reproduzindo clichés e fórmulas gastas. O livro não podia ser mais divertido na forma como expõe a infantilidade vigente num sector que afinal já tem tanto tempo… hilariante mas também cínico JPOD deixou-me uma sensação estranha em relação à suposta cultura digital. Adorei as ligações à máfia chinesa e a forma como uma vez mais Douglas Coupland expõe as relações familiares e as faz colapsar, muito ao estilo de outro dos seus livros (“Todas as Famílias são Psicóticas”). Um verdadeiro retratista de diferentes gerações que mostra bem como os anos noventa e a sua “geração X” estão longe da actualidade. JPOD trata da geração pós 11 de Setembro de 2001 e para eles os anos noventa são retro chic. Um livro a ler sem falta mas perigoso para quem trabalha em jogos digitais… nunca mais se volta a ser a mesma pessoa!






















