


Uma conferência que vale a pena ver on-line é a apresentação de Andrea Zapp nas “disrupting narratives” da Tate em Julho de 2007. Andrea Zapp nasceu na Alemanha, estudou cinema e televisão e desenvolve um conjunto de narrativas e plataformas digitais que problematizam noções passadistas que não têm em conta aspectos de realidades mistas e recombinatórias nas artes digitais da actualidade. Neste contexto, podemos considerar que a autora combina instalações site specific com espaços on-line, interfaces e tecnologias de vigilância em happenings que reflectem sobre a possibilidade de construção de espaços imaginários emergentes a partir da interacção de múltiplas pessoas em rede. Andrea Zapp editou dois livros: Networked Narrative Environments as imaginary spaces of being, MMU/FACT Liverpool (2004) e New Screen Media, Cinema/Art/Narrative, BFI, London/ ZKM (2002).
Na conferência “For We are Where We are not: Mixed-Reality Narratives and Installations”, Andrea Zapp mostra diversas instalações em galerias onde os participantes podem construir e manipular o espaço destas através de soluções enviadas e forjadas pela rede. Assim, o ambiente de um quarto de hotel ou de uma casa de bonecas pode alterar-se consoante os inputs de observadores dispersos na rede global de telecomunicações. A autora dedica-se ainda à construção de micro narrativas e telenovelas geradas por diversos participantes. As acções e o corpo próprio destes interactores fazem parte destes espaços imaginários. Para Andrea Zapp existe um modelo expressivo de arquitectura narrativa que deve ser tido em consideração nas realidades mediadas pela tecnologia onde as versões on-line podem ser misturadas com a realidade do dia-a-dia do escritório do bar ou do café. Vale mesmo a pena ouvir e ver os trabalhos desta artista digital que reflecte sobre o envolvimento e a participação do corpo num mundo ligado por múltiplos elos e linhas de software, redes de hardware que apelam à experiência incorporada em lugares booleanos de formas e sombras recombinatórias.



Outra conferência que vale mesmo a pena ver é a apresentação de Mark America, “Remixology, Hybridized Processes, and Postproduction Art: A Counternarrative” no mesmo evento on-line da Tate. Ouvir as palavras do poeta, escritor, professor VJ e bloguer sobre a forma como o inconsciente nos leva a construir ficções que por vezes não temos capacidade de avaliar é no mínimo inspirador. Mark America foi considerado um inovador por excelência pela Time Magazine e a sua trilogia: GRAMMATRON, PHON:E:ME e FILMTEXT ainda está disponível on-line. O artista e poeta digital publicou recentemente o livro META/DATA: A Digital Poetics (2007), editado pelo MIT, e é professor de arte na Universidade do Colorado.
Na conferência proferida na Tate Mark America mistura narrativas pessoais com teorias espontâneas e leituras filosóficas, no intuito de falar sobre a construção da identidade, personas ficcionais e informação experimental. A rede ajuda, segundo o artista, a criar mitologias e narrativas sobre a identidade e promove um “postproduction artist”, ou seja, alguém que se envolve, de forma díspar do modelo tradicional, numa rede alternativa de distribuição e em esquemas que envolvem audiências muito diferentes das habituais. Mark America considera que o “remixologist” contemporâneo é alguém que usa as formas media não tanto no sentido de contrariar o espectáculo mas no intuito de criar um conjunto de contra narrativas que nos transportam para lá do objecto de arte per se enquanto investigam a possibilidade de descobrir o processo criativo inerente ao inconsciente. Acho que vale a pena inquirir esta possibilidade! Obrigado Margarida.