VIGILÂNCIA E VIOLÊNCIA ORQUESTRADAS

O filme Vigilância ou Surveillance (Jennifer Chambers Lynch, 2007), realizado pela filha de David Lynch, é um triller bastante sanguinário mas que prova como afinal “filha de peixe sabe nadar”. Ao contrário do que aconteceu antes com Boxing Helena, o desastroso primeiro filme trash da escritora do livro The Secret Diary of Laura Palmer, Jennifer Chambers Lynch, vai certamente sair da sombra do pai e dedicar-se, finalmente sem hesitações, ao cinema. Surveillance tem um universo bastante marcado por Lost Highway, Twin Peaks, entre outros, mas recordou-me também o inquietante Terror na Auto-Estrada (The Hitcher de Robert Harmon, 1986) recentemente recriado no medíocre The Hitcher (Dave Meyers, 2007).
Filme de actores, com um Sam Hallaway (Bill Pulman) irrepreensível mas bastante gordo e uma Elizabeth Anderson enigmática (Julia Ormond) no papel de dois agentes do FBI que chegam a uma estação da polícia local no deserto de Santa Fé para investigarem uma série de ocorrências criminosas. A narrativa reconstrói-se a partir do relato de três testemunhas dos incidentes e a história liga-se num mosaico de acontecimentos ao estilo de Colisão (Crash, 2004) de Paul Haggis. Um polícia, uma toxicodependente e uma miúda de oito anos ajudam as autoridades a reconstruir um emaranhado de acontecimentos provocados por dois indivíduos mascarados. Uma cena dispensável é, quanto a mim, a cena dos junkies mas não digo muito mais. De resto, os diferentes estados de espírito das personagens são acentuados pelas colorações sépia, no caso dos dois polícias, pelas cores saturados nas cenas com os dois junkies e na utilização de cores mais planas e mais nítidas na história da miúda. Uma violência orquestrada ao nível dos diálogos e que se torna cada vez mais nítida conforme o filme vai progredindo. Um texto cheio de non sense, algo gore.
























