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March 23rd, 2009

RAFAEL ARGULLOL_FCSH/UNL

Posted by mouseland in divulgação, cibercultura, enigmas

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Na quinta-feira passada fui ouvir Rafael Argullol à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Poeta e ensaísta é professor Catedrático de Estética e Teoria das Artes na Universidade de Humanidades Pompeu Fabra de Barcelona e já leccionou noutras universidades europeias e norte-americanas. Se a conferência me pareceu interessante na forma como interpretou a história de Édipo Rei na tragédia de Sófocles levando-nos a considerar a resolução do mistério como uma maneira de Édipo se ir reconciliando consigo próprio, tenho que confessar que já tinha ouvido uma interpretação muito semelhante por parte de Deolinda Santos Costa na Livraria Climepsi da Pinheiro Chagas. A forma como a psicanálise ajuda a desbloquear as memórias passadas e a preparar caminho para a aceitação da identidade de forma plástica e mutante era então matéria de discussão. Posso então considerar que nesse sentido a conferência de Rafael Argullol foi para mim uma revisão dessa outra comunicação mas no final o debate foi absolutamente surpreendente. 

O escritor espanhol contou uma história muito bonita sobre uma caminhada que fez com o pai para apanhar caracóis onde foi picado por uma abelha que antes tinha ajudado. Falou sobre a confusão que lhe fazia a partição entre teoria e prática, uma coisa impossível para os gregos, a partir das suas próprias experiências a leccionar nas Belas Artes e numa faculdade de Filosofia. Dissertou sobre a entropia das múltiplas perguntas e repostas e a necessidade de encontrar um equilíbrio entre as perguntas que se fazem, as respostas que se encontram e a acção. Anunciou a impossibilidade de separar o intelecto dos sentidos e admitiu a sua admiração por Platão por ter sido aquele que mais se equivocou. Criticou o panorama recorrente do mito de Duchamp nas artes contemporâneas denunciando o jogo existente entre a estética da contra corrente e a política actual, ou seja, admitindo que o mercado da arte está repleto de uma certa repetição silenciosa, parca de ideias realmente interessantes, na senda de Paul Virilio em La Procédure Silence. Anunciou o viajante como o único que sabe ler a sua própria cultura pois é através da cultura dos outros que melhor nos compreendemos. Alertou-nos para a sua convicção de que a tradução das palavras de Sócrates: “conhece-te a ti mesmo” estariam mal traduzidas e quereriam dizer algo como “reconcilia-te contigo próprio”, ou seja, não implicavam este voltar para dentro de si mas antes o encontro com os outros. Gostei muito de o ouvir até porque confirmou algumas das minhas convicções. Mais informações no blog de Rafael Argullol aqui.

2 Responses to ' RAFAEL ARGULLOL_FCSH/UNL '

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  1. tipografia said,
    on March 26th, 2009 at 6:16 pm

    inspira-me*****

  2. mouseland said,
    on March 27th, 2009 at 5:11 pm

    :smile: :mrgreen: :grin: :razz: :lol: xxx mouse

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