IPA NUMA MANHÃ DE SÁBADO


No passado dia 16 de Janeiro, Sábado de manhã, fiz, a convite de António Sousa Dias, uma apresentação do meu trabalho aos alunos da Licenciatura em Produção Multimédia Interactiva do IPA (Instituto Superior Autónomo de Estudos Politécnicos). Esta apresentação teve aproximadamente uma hora e partia do tema “Interacções/Transconceptualidades” enquadrando-se na disciplina de Estudos de Espaço, Tempo e Movimento. Da mesma jornada fazia parte uma intervenção do cineasta/escritor/professor António de Macedo que introduziu as categorias clássicas de divisão das artes, i. e., artes do espaço (arquitectura) versus artes do tempo (música) e assim se salientou a importância de considerar o cinema mas também as artes plásticas como artes simultaneamente do espaço e do tempo. Considerou-se ainda que as antigas distinções são impossíveis de manter nos dias que correm pois não dão conta de aspectos transversais entre os diferentes media. Neste contexto, sugeriu-se que o cinema nos remete para a nossa época mesmo quando retrata outros períodos históricos. As roupas de um filme sobre os anos trinta do século passado, quando filmadas nos tempos actuais, dizem-nos tanto sobre a época passada como afirmam inúmeras coisas sobre o tempo presente. As estratégias do realismo cénico foram inquiridas e o realizador português mostrou a sua obra Almada Negreiros, Vivo Hoje, de 1969. Com um sentido crítico apurado a comunicação de António de Macedo foi bastante inspiradora, nomeadamente na forma como alertou os alunos para as práticas nacionais de ocultação daqueles que se destacam, numa tentativa de os tornar invisíveis. Assim, segundo Macedo, quando alguém faz uma coisa bem feita em Portugal não é normal que outra pessoa tente superar esse feito competindo mas é antes comum fingir que essa pessoa não existe. Quarenta anos depois da realização do filme sobre Almada Negreiros o estado-das-coisas no nosso país, sob esta perspectiva, é semelhante. Usando as expressões “para cá de Badajoz” e “para lá de Badajoz”, o cineasta português, assinalou a importância de sair do marasmo nacional para compreender as dinâmicas da criatividade e da arte.