“UP IN THE AIR” UMA COMÉDIA ESPECULATIVA



Up in the Air (2009) é uma comédia divertida que vem provar o talento de Jason Reitman para um género simultaneamente acutilante e descontraído. O seu estilo surge, nesta obra, reforçado ao debater mais um assunto polémico da actualidade. No caso concreto deste filme, aborda-se o despedimento de trabalhadores e a contratação de especialistas que trazem as más notícias àqueles que vêem de um dia para o outro o seu emprego em causa. Já em Juno (aqui referido) a questão tratada era o problema da gravidez na adolescência e, em Obrigado por Fumar (também aqui referido), o confronto proposto remetia-nos para a paranóia em relação ao tabaco. Up in the Air junta e mistura várias questões numa reflexão critica em relação às opções de vida mais originais. Ryan Bingham (George Clooney) escolheu o movimento como forma de vida e passa os seus dias em aviões a andar de um lado para o outro, parar para ele é morrer. Sem qualquer moralismo, advoga-se um estilo de vida pelo qual se optou mas fica sempre a dúvida se terá sido uma opção ou uma adaptação. Impossível discernir, tanto no filme como na vida real, o que é fruto do livre arbítrio ou de adaptações autopoiéticas. A verdade é que o protagonista do filme parece satisfeito com a sua escolha e é apenas quando corre o risco de perder o seu estilo de vida que vacila em relação a todas as outras opções, i. e., prender-se, atracar-se, fechar-se, ficar amarrado a uma relação. Neste aspecto, o final desta obra é surpreendente mas também algo inconsistente mas não quero revelar pormenores.
Os momentos mais hilariantes deste filme são frescos e bastante divertidos, a conversa sobre o que as mulheres querem em diferentes alturas da vida, entre os três protagonistas do filme, é deliciosa. Apreciei bastante o conflito de gerações, as convicções de uma “miúda” de vinte e poucos anos confrontadas com o cinismo de um homem e de uma mulher já nos seus quarentas. A possibilidade de não se desejar seguir um caminho igual aos mais comuns e, acima de tudo, a ideia de que o respeito se vai perdendo na impessoalidade das relações mediadas por máquinas, sejam mensagens sms, vídeo-conferências ou e-mails. Uma comédia especulativa sobre as relações humanas numa época complexa.


Este filme interessa-me de facto se é desprovido de moralismo (it’s a dirty job but someone’s got to do it) mas se comporta todas essas belas lições sobre “o respeito que se vai perdendo”, a informatização e a automatização então deve ser uma boa seca. O Jason Reitman é especialista dos filmes (com herois) falsamente cinicos e polémicos mas acaba sempre por servir as causas mais conformistas. Pela conclusão da critica, depreendo que continua aplicado.
o pitch interessava… o resultado: uma seca espertalhuça, sem ponta de irreverência e sem sombra de malicia. Felizmente, com a Vera Farmiga, a mais subestimada das grandes actrizes.
Também não percebo: o que é que tem de “especulativo”?
Resumindo: é realmente uma obra “fresca” para quem consome filmes como latas de 7Up. Tchin!