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February 28th, 2010

ATELIER DE ARTES DIGITAIS_FCSH_UNL_09/10_SOB O SIGNO DA CONSISTÊNCIA

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Este mês ficou concluída a quarta edição do Atelier de Artes Digitais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa que estive a leccionar no primeiro semestre. Foram avaliados dezoito alunos e ainda tivemos o prazer de receber uma aluna “infiltrada”, do ano anterior, a quem não foi atribuída nota final. Os ateliers de 2008 e 2007 estão aqui e aqui descritos. Este ano recebemos a visita de António Saraiva, aka Dr Bakali, que expôs algumas das suas ideias sobre artes digitais, viu e comentou os trabalhos em desenvolvimento dos alunos. A impressão global em relação aos projectos apresentados nesta visita foi, segundo afirmou, muito positiva. No total foram concebidas e produzidas quatro obras distintas que passo de seguida a apresentar.

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O projecto [Re] make it propõe “a transformação de conteúdos digitais inócuos ou excedentários como forma de produzir trabalhos artísticos”. Neste sentido, “a facilidade de manuseamento das ferramentas no contexto digital, devido à redefinição dos conceitos de “tempo” e “espaço”, promove a criação, difusão e circulação de conteúdos diversos, nomeadamente através de redes de contactos de e-mails, alimentando uma partilha, muitas vezes, pouco ponderada e acrítica em relação ao valor real desses mesmos conteúdos. Ou então, de modo propositado, com intenções desconhecidas. Desta forma, todos os dias, a cada hora e a cada minuto, caixas de correio electrónico por todo o mundo são inundadas com spam e Fwr. As nossas caixas. Tal, nem sequer é comparável à publicidade massiva de empresas que surge em nossas casas; pensemos antes no caos que seria termos centenas de papéis e afins colocados na nossa caixa de correio! Este ponto de reflexão é essencial para o nosso trabalho: se cuidamos – reciclando, reutilizando, recuperando – do nosso lixo físico, porque não o fazemos virtualmente, possibilitando ainda que os utilizadores desenvolvam acções criativas? Desta forma, é igualmente importante adequar os conselhos reguladores já existentes no mundo real à praxis do comum dos utilizadores, reforçando questões como a responsabilidade social entre as comunidades virtuais. A designação e identidade encontradas para o projecto encerra em si mesma a necessidade de refazer e criar esses conteúdos, para o bem comum: [re]make it.” (texto do dossier de projecto dos alunos). A intenção é construir uma ferramenta de software que seja capaz de facultar aos participantes um espaço de experimentação artística e assim contribuir para uma reflexão sobre o problema do “lixo” virtual que, à semelhança do real, requer que tenhamos práticas mais sustentáveis. Um projecto que incorpora bastante bem uma reflexão sobre a reutilização do material digital e que vem certamente no seguimento de uma linha de trabalhos na área da reutilização de imagens, textos, sons e vídeos, provenientes das redes globais como bases de trabalho experimental. Potatoland, Google Black, Mapping Transitions, e todo um conjunto de software criado na área do mapeamento digital, foram boas inspirações. Com o slogan: “(re)make it useful > (re)make it art > (re)make it better” o projecto sugere: “Palavras que darão o mote diário de inspiração para a criação, que terá como maior arte, a questão ecológica e ambiental que envolve.” (ibid.). Uma criação conjunta de António Luís Cardoso (História de Arte / Design Gráfico), Maria João Amaro (Arte e Multimédia), David Monteiro (Ciências da Comunicação), Rui Coelho (Engenharia Electrotécnica e Computadores) e Maria Caridade (Cinema e TV).

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A instalação interactiva 6 Memos pode ser aqui consultada nas suas diversas vertentes (conceito, simulação e vídeos) e é uma enigmática estrutura em seis momentos que parte da obra de Ítalo Calvino, Seis Proposta para o Próximo Milénio. Já na quarta edição deste atelier (seminário de mestrado) posso dizer que é até hoje a peça que faz melhor eco do próprio seminário pois a obra de Calvino organiza os vários exercícios a efectuar durante o semestre. Através deste espaço interactivo chama-se a atenção para a forma como os conceitos do autor podem servir de inspiração criativa na era digital. Estou absolutamente convicta que é uma obra que ilustra muito bem os desafios da cultura neste milénio e que incorpora as intricadas relações existentes entre media analógicos e digitais. O projecto 6 Memos é enigmátivo e esperem até experimentar a instalação pois o protótipo em flash já é algo aditivo. Os vídeos, o som, a interacção e a construção do conceito global, o qual é bastante inclusivo, ao ponto de se perceber que podemos estar simultaneamente perante uma obra para museu ou galeria ou para publicidade em espaços públicos. Tudo isto culmina numa instalação que está estruturada da seguinte forma: “numa sala hexagonal escurecida, o participante encontra um feixe luminoso vertical que corresponde a um sensor de movimento. Ao interferir com esse dispositivo, toma o primeiro contacto com todas as componentes de que dispõe para constituir a sua experiência. Activa então, em simultâneo, um ambiente sonoro total e descobre que em torno de todo o perímetro da sala estão distribuídos por cada parede um conjunto de três ecrãs plasma. Em cada parede decorre uma projecção de vídeo ladeada por dois ecrãs que apresentam componentes textuais estáticas.” (texto presente no site do projecto aqui). Uma criação e produção da equipa constituída por Catarina Conceição (História de Arte), Laura Cortes (Design de Comunicação), Tiago Reis (Engenharia Mecânica), Hugo Castanho (Ciências da Comunicação) e Sandra Veiga (Som e Imagem).

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Ressonâncias Urbanas, Narrativas Interactivas propõe um espaço performativo que consiste numa viagem sonora por um bairro sobejamente conhecido lisboeta, a saber, a Bica. No blogue do projecto podemos ler: “Conhece Lisboa como a palma da mão? Sim? E se não estiver a ver nada? Vai saber onde está? Imagine que entra numa sala às escuras e lhe dizem que o que está a ouvir são os sons da Bica… vai saber em que sítio da rua está, em que loja? Não? Só lá vai à noite e a única coisa que ouve é o glugluglu dos copos e afins? Aqui o que se ouve são os sons de quem habita a Bica todos os dias e todos querem falar consigo… Responda-lhes, caminhe ao sabor dos sons e desfrute da brincadeira que construímos para si. Não só se vai divertir como vai ver que fica com vontade de “voltar” à Bica e entrar em sítios que antes não sabia que estavam lá.” (ler mais aqui). Esta instalação/jogo tem um argumento complexo onde deparamos com personagens com as quais interagimos através de gestos. As interacções processam-se com a palma da mão e o “sim” e o “não” que temos que aprender a manipular revelam um livro de regras divertido e que apela a uma viagem sensorial onde o som dirige o percurso a efectuar. Neste contexto, “O projecto “Ressonâncias Urbanas” aposta na criação de narrativas sonoras interactivas, apresentadas sobre a forma de instalação, na qual o utilizador é um participante activo através dos seus movimentos. Assim, apresentamos um jogo, baseado em sons originários numa zona da cidade de Lisboa, mais precisamente em alguns espaços da Bica, criando um retrato sonoro, capaz de interagir com o utilizador.” (saber mais aqui) Este projecto tem criação e produção de Matilde Parreira (Ciências da Comunicação), Nuno Monteiro (Som e Imagem), Fernando Silva (Com. Social, Publicidade e Propaganda), Cristina Benedita (Dança) e Rita Barracha (Arte e Multimédia). Espera-se, com ansiedade, para ver a proposta a funcionar um dia deste algures em Lisboa.

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Finalmente, o projecto 1170-165 Largo da Graça, Lx, já aqui apresentado, sugere uma deriva que apela às experiências situacionistas da psicogeografica e às deambulações urbanas presentes, por exemplo, em festivais recentes como o Conflux de Nova Iorque. A ideia é recolher informações e contribuições na tentativa de criar um espaço de diálogo simultaneamente on-line e off-line que represente um pouco a atmosfera do bairro e dos seus habitantes. Este espaço, “pretende reunir memórias, experiências, vivências, opiniões e modos de apropriação do Largo da Graça, em Lisboa, de forma a criar uma comunidade virtual que reúna habitantes, visitantes ocasionais e regulares, etc.”. A equipa do projecto teve a preocupação de estender o conceito a diferentes plataformas, a saber, 3D no Google Earth, redes sociais como o Facebook, o Flickr, o Youtube e o Twitter. Com alguns vídeos já publicados on-line é possível ouvir e sentir as sensações e “texturas” do bairro. Uma criação e produção de Marta Rêgo (Audiovisual e Multimédia), Cláudia Teixeira (Fotografia), Pedro Fortunato (Cinema e TV) e António Freire (Design). 

O atelier deste ano foi para mim muito gratificante pois senti da parte dos alunos um entusiasmo e energia que me deixou com a sensação que a experiência valeu a pena para todos. Há trabalhos que merecem ser expostos, nomeadamente as duas instalações interactivas, e outros que merecem continuidade, i. e., o exemplo da plataforma software art e a exploração à volta do bairro da Graça. Foi com satisfação que me fui apercebendo que há essa vontade por parte dos alunos. Assim, fico a aguardar com expectativa que possamos superar o ambiente concreto do seminário numa ou outra inauguração ou obra. Boa sorte para todos! Foi um prazer. Deixo as minhas sinceras felicitações aos alunos pelos quatro projectos criados e produzidos no âmbito deste atelier que são, quanto a mim, excelentes exemplos de dedicação, criatividade e energia e que resultaram em criações muito consistentes e ricas de diversos pontos de vista. Conseguiu-se como nunca mostrar como a interdisciplinaridade resulta em obras cada vez mais complexas e interessantes.

October 6th, 2009

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Algumas sugestões para os próximos dias. Acontecimentos aliciantes em Lisboa e no Porto na área das artes interactivas. Agradeço desde já todas as sugestões e aqui fica um roteiro pelo mundo das artes digitais na próxima semana. Infelizmente, porque vou partir, não poderei ir ver amanhã e depois o espectáculo “.TXT” no Museu do Oriente. No entanto, recomendo vivamente esta performance que já tive o prazer de ver em edições anteriores na Culturgest e no Festival Interparla, Madrid. O espectáculo, agora na sua versão final, é “uma obra performativa interactiva mediada por várias tecnologias sensoriais que explora formas de linguagens artísticas transversais contemporâneas. O resultado é um vocabulário singular que se articula fisicamente, por intermédio de paisagens sonoras interactivas, composições visuais e coreografia em tempo real, as quais representam um manancial de expressões artísticas que sustentam a intenção dramatúrgica.” Mais informações aqui.

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O Festival Future Places decorre no Porto entre 13 e 17 de Outubro e o programa está recheado de workshops, concertos e comunicações. Esta edição tem programação de Heitor Alvelos e Karen Gustafson e é um lugar de encontro que propõe uma questão: “if digital media can do so much for global communication, knowledge and creativity, how can it contribute to local cultural development? October 2008 marks the start of this challenge. After the success of the first edition in 2008, where we surveyed current successful projects from very diverse backgrounds and fields of knowledge, FUTURE PLACES will dedicate its 2009 edition to strategic approaches”. Mais informações no site do festival aqui.

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Pela minha parte vou partir para o Rio de Janeiro na quarta-feira de madrugada para fazer a comunicação “Identidades em continuum, design de sistemas inclusivos nos MMORPGs”, no SBGames 2009, VIII Simpósio Brasileiro de Jogos e Entretenimento Digital na Puc, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Sob o lema da convergência vou falar sobre género no âmbito dos jogos digitais sugerindo a necessidade de pensar questões relacionadas com o design inclusivo, i.e., design de sistemas que tenham em consideração inúmeras variáveis na sua construção: inclusão de diversas tipologias de jogabilidade, de várias comunidades de gamers e, finalmente, que assentam em movimentos pela paridade de género. Depois de um “estado da arte” sobre o tema, que se centra em investigações existentes nesta matéria provenientes da Ásia e da América, vou focar questões associadas ao design para múltiplos participantes on-line. Antes de me despedir, sniff… sniff… gostava de felicitar o Rio pela recente conquista dos Jogos Olímpicos de 2016. Só fui a esta cidade uma vez em 2003 com o P. e, sinceramente, a viagem de carro na altura, de São Paulo ao Rio de Janeiro, foi tão desgastante que acabei por me sentir sempre oprimida na cidade. Conseguimos passar por várias experiências inquietantes: vimos corpos baleados no chão numa estação de serviço, a polícia mandou parar o nosso carro para perguntar de tínhamos armas e, finalmente, a relação entre a favela e os hotéis e apartamentos do centro pareceu-me tão presente que tudo aquilo me fez sentir desconfortável. Espero gostar mais desta vez. Até ao meu regresso!

October 5th, 2009

EXPERIMENTADESIGN09_PRIMEIRO PÉRIPLO E ALGUMAS ESCOLHAS

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Muita coisa tem acontecido em Lisboa nos últimos tempos e não tenho tido oportunidade de acompanhar um terço. Assim, confrontada com o vasto programa da ExperimentaDesign09 tive que fazer algumas escolhas pois o meu tempo livre não é muito nos dias que correm. Fui ver a exposição Quick, Quick, Slow, Texto, Imagem e Tempo patente no Museu Colecção Berardo e achei interessante mas algo pedagógica. A exposição propõe um “olhar retrospectivo que se estende ao início do século XX” e “explora a dimensão do tempo no design gráfico, mapeando as influências e impactos recíprocos entre grafismo impresso e animado. Quick, Quick, Slow: “explora o modo como os designers têm evocado a ideia e fluxo do tempo através de formas estáticas, do “look dinâmico” e das primeiras experiências modernistas com tipografia até às complexas sequências animadas concebidas para cinema e publicidade.” Uma mostra bastante boa para estudantes que estão a iniciar a sua licenciatura em artes visuais e design.

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Nas conferências da ExperimentaDesign09 fui ver a sessão que juntou Peter Saville (GB) e Michael Horsham dos Tomato (GB) e as Open Talks organizadas, respectivamente, por Paola Antonelli e Alice Rawsthorn. A apresentação de Paola Antonelli sobre o tema novas formas de design foi mesmo muito interessante mas é conhecido o meu apreço pela curadora do MoMa cuja obra tenho citado regularmente. Paola Antonelli “trouxe” à ExperimentaDesign09 três personalidades bastante curiosas e geriu a sessão de forma animada, interessante e interdisciplinar. Assim, foi possível ouvir no espaço do mercado de Santa Clara em Lisboa Kevin Slavin (US), Neri Oxman (US) e Oron Catts (AU). Neste contexto, saliento os curiosos projectos de Kevin Slavin para a Area/Code, empresa fundada em 2005 e da qual é director, que cria jogos cross-media que assentam “na transversalidade das tecnologias e dos media para criar novos tipos de animação.” Nesta empresa foram criados “jogos de telemóvel com personagens invisíveis que se movem através de espaços reais, jogos on-line sincronizados com emissões televisivas em directo, como também videojogos onde tubarões virtuais são controlados por tubarões reais com receptores GPS agrafados às barbatanas. “Parking Wars”, o jogo que criaram para o Facebook, teve mais de um bilhão de usuários [participantes] em 2008”.

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Saliento ainda a apresentação de Neri Oxman: “designer e fundadora de Materialecology, uma iniciativa interdisciplinar de design que leva a cabo uma investigação transversal à arquitectura, engenharia, computação, biologia e ecologia. É frequente Neri inspirar-se na natureza para encontrar respostas práticas de design. O seu trabalho incorpora princípios de biomimetismo e objectos produzidos, levando as ideias e projectos desenvolvidos para além dos limites da imaginação.” Finalmente, a apresentação de Oron Catts foi mais contida e o director da SymbioticA acabou por ser o mais convencional do painel, talvez por ser também o mais conhecido.

Em geral as ideias apresentadas nesta excelente sessão apontam para a necessidade de se quebrarem algumas fronteiras, nomeadamente entre arte e design, design e engenharia, engenharia e arquitectura, entre outras possibilidades. Apontou-se para a urgência de se começar a pensar num conceito de design que tenha em consideração a criação de problemas e não apenas a resolução destes. Ficou evidente, neste painel, uma crítica à falta de capacidade dos media interpretarem os projectos de design contemporâneo (bem evidente em algumas críticas que li sobre a ExperimentaDesign09 nos jornais portugueses que parecem confundir e baralhar tudo) e a incapacidade de se pensar em design como um território artístico, onde se processam experiências e reflexões próprias de outros campos. O design como decoração de artefactos industriais, que se constitui como disciplina para dar resposta à revolução industrial e aos ideais do modernismo, dá lugar, nos nossos dias, a um campo de experimentação com a própria natureza, a biologia e a identidade. O design abre-se à teoria dos media, à reflexão da pós-modernidade, e assenta na diversidade da experiência. O design experiencial, conceito introduzido pelos media interactivos para dar conta dos participantes dos sistemas digitais, preocupa-se mais com a reflexão sobre a experiência imaterial do que com a criação de objectos. A trilogia tipografia, composição e cor dá lugar a aspectos já não apenas centrados na percepção mas também na acção humana. Neste sentido, é hoje evidente que se confrontam dualidades e distinções antigas, formalizadas por uma escola modernista que parece nunca ter realmente compreendido o programa da Bauhaus. Assim, se pensam novas plasticidades orgânicas e sustentáveis e se olha para as formas naturais à procura de inspiração. Surgem, neste contexto, novas construções narrativas e as diversas disciplinas pressupõem saberes holísticos e integrados, o design abre-se à participação e à autoria colaborativa e partilhada. Penso que passou por ali tudo isto naquela manhã de Setembro, uma manhã cheia de ideias e dúvidas para colmatar as certezas daqueles que gostam de insistir em tipologias de autor, velhas fórmulas miméticas gastas e saturadas. Mais informações aqui

De resto, as outras conferências e conversas que assisti pareceram-me menos aliciantes, conceitos importantes mas sobejamente conhecidos: desmaterialização, ruído, sistemas de mapeamento da informação, para citar apenas algumas problemáticas evocadas. Infelizmente ainda só tive oportunidade de ver alguns projectos tangenciais mas quando regressar do Rio de Janeiro vou continuar o meu périplo pelas exposições.

September 8th, 2009

DESIGN MUSEUM_DESIGN DISTRICT_HELSINQUIA_AGOSTO 09

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Se a colecção permanente do Design Museum de Helsinquia é interessante q. b. as exposições temporárias na área da tecelagem aplicada a tecnologias antigas e contemporâneas foram uma verdadeira desilusão. A mostra permanente de design de equipamento e design visual está bastante bem enquadrada em pequenos excertos de texto que contextualizam na perfeição a temática mas o resto… das mostras temporárias à loja do museu nada faz justiça à terra de Alvar Aalto. Uma desilusão! Mais vale uma visita às lojas Artek, Marimekko e Iittala, no centro da cidade, e deambular pelo Design District Helsinki: “Helsinki offers an ideal place to get to know Finnish design and to buy top-class Finnish design products. Located in the centre of Helsinki, the Design District Helsinki is an area full of design and antique shops, fashion stores, museums, art galleries, restaurants and showrooms. Here you can find the most interesting names, classics, trend-setters and so much more. Design District Helsinki is a neighbourhood and a state of mind. It is 25 streets and 170 spots on a map from shops to galleries and from design studios to design hotels. It is creativity, uniqueness, experiences, design and Finnish city culture.” Mais informações aqui.

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September 7th, 2009

THE FINNISH MUSEUM OF PHOTOGRAPHY_HELSINQUIA_AGOSTO 09

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No The Finnish Museum of Photography, que comemora este ano quarenta anos, tive oportunidade de apreciar a enigmática instalação de Santeri Tuori, Forest de 2009, uma obra que combina, em diferentes tempos (uma imagem é tirada no Inverno e outra no Verão) duas projecções provenientes de imagens recolhidas na ilha filandesa Kökar. A imagem estática é uma fotografia a preto e branco onde é projectada uma imagem em vídeo (slow motion), a cores. A sensação é fantasmagórica e sugere o efeito do vento sobre a imagem estática. No site da Galerie Anhava podemos ler: “Tuori’s work can be seen in relation to tradition of landscape painting. But comparing to conventional two dimensional still image, Tuori aims to create an illusion of stepping into a forest. Viewer is surrounded by lifesize trees moving and sounds that strengthen the sense of physical experience. The soundscape imitates actual sound in a forest as the viewer has feeling of sensing something distant and at the same time something that comes very close. One can hear noises of blowing wind. Forest (Reddish) challenges the possibility of picturing nature on a flat surface by using form that appeals not only to sight/seeing. Tuori’s representation of nature also changes continuously. Trees move back and forth as if refusing to be captured in a single image. Power of the work is enhanced by the dramatic movement of the branches”. Mais informações aqui.

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Na mesma exposição vi a fotografia Emre’s Umbrella de Elina Brotherus, filandesa nascida em 1972 em Helsínquia. Esta fotografia remete-nos para uma narrativa sobre o chapéu-de-chuva que a artista recebeu da jovem curadora, de nome Emre, da exposição que inaugurou em Instambul. Na noite da inauguração da exposição, porque de repente começou a chover, Emre saiu à rua para comprar um chápeu-de-chuva barato para Elina Brotherus e, na fotografia, podemos ver a artista com esse objecto. No The Finnish Museum of Photography vi ainda outras obras de Elina Brotherus assim como o vídeo Tango Lesson de Elina Saloranta: “Elina Saloranta’s videowork Tango Lesson was shot at a dance practice. The camera concentrates on the dancers’ upper bodies: their chests, shoulders and arms. To our surprise, the picture reveals that the woman is pregnant. The soundtrack has been made from the viewpoint of the child in the womb. The source for this is research data on the sounds heard by a foetus. Tango Lesson is an attempt to imagine how a child in the womb experiences dance. Another theme that emerges is the relationship between art and empirical science.” Mais informações aqui. No mesmo museu encontrei os bonecos (esculturas) de Rainer Kaunisto ali apresentados como referência ao TeatteriMuseo no andar de cima.

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September 7th, 2009

“TRACKING TRACES”_MUSEUM OF CONTEMPORARY ART KIASMA_HELSINQUIA

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A exposição Tracking Traces no Museum of Contemporary Art Kiasma em Helsínquia apresenta uma diversificada mostra de arte contemporânea que examina as pessoas, a natureza e a cultura através de uma variedade de traços que tanto podem estar no corpo humano como nas imagens da publicidade e do espaço urbano. Esta exposição é a décima exibição a partir da colecção do Museu Kiasma e alerta-nos para a necessidade de olharmos para o mundo que nos rodeia de forma a encontrarmos nele mensagens e signos forjados pelas artes: “the world that surrounds us is full of signs and messages - traces of the world that contemporary art makes use of by copying, recycling, sampling and commenting on them. Traces can be found near and far: on the human body, in advertising images, on cereal packets and in the urban space. The traces can be physical imprints, visible signs, actions or memory traces. Some of the traces are left consciously, others are accidental. The one thing shared by the traces in the exhibition’s works is that they transmit as well as shape our idea of ourselves and of the world. They are about life and the need for interaction.”

A mostra Tracking Traces questiona o papel da arte contemporânea e a interpretação que a mesma faz dos “traços” deixados pela cultura da publicidade e do entretenimento assim como também se debate com a recorrente aplicação de dados provenientes de inúmeras fontes distintas numa mixagem evidente: “the world abounds in reinterpreted images. Product images, ads and logos are the currency of signs in contemporary art. The bar code, familiar from the world of trade and commerce, contains coded information about a product. Contemporary art occasionally operates in a similar way; a familiar thing is presented in a new context or in a different package. Searching for material for their work, artists sometimes explore the history of art, or borrow elements from the world of entertainment or advertising. A reinterpretation often reveals the artificiality of things. Mais informações aqui. Estarão em exposição, até meados de Fevereiro de 2010, 122 trabalhos organizados segundo três categorias, i.e., smudge, barcode e imprint. Os projectos são de 51 artistas e embora, no geral, o conjunto das obras me tenha parecido algo desequilibrado estas estão ancoradas numa excelente ideia. A arquitectura do Museum of Contemporary Art Kiasma é de autoria do arquitecto Steven Holl (1998) e o edifício é um aliciante projecto que alia a “escultura” urbana para praticar skate ao edifício global, tudo numa harmoniosa composição.

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July 20th, 2009

TRÊS REVISTAS PARA LEVAR PARA A PRAIA NO VERÃO DE 2009

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Três revistas, editadas durante o mês de Julho, a ter em consideração. A Computer Arts, a Monocle, a briefing on global affairs, business, culture & design e a revista Nada, sobre tecnocultura, pensamento, arte e ciência. Passem pelos pontos de distribuição e levem-nas debaixo do braço para um mergulho na praia. Vai valer a pena!

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A Computer Arts faz uma edição sobre “The Design Essentials Issue” com conselhos the David Carson, Neville Brody, Stefan Sagmeister, Hillman Curtis, John Maeda, Vince Frost e muitos outros. Para John Maeda, com quem concordo inteiramente, o futuro reserva-nos um novo impulso criativo onde a tecnologia se esconde para dar lugar a uma maior preocupação com os conceitos e ideias: “I think culture has to pick up the pace for the economy to expand. I think that expansion will come from creativity centres like art and design schools more than technology schools. I see the world’s pendulum swinging back, away from technology, to wanting to see something more human, more authentic. A computer program is like a big tree; we need artists and designers who can think off the tree again. That’s coming” (Maeda, 2009: 32). Quem conhece as divertidas conferências de John Maeda, disponíveis no site das Ted Talks, sabe bem o que o artista quer dizer com este “afastamento” do pensamento hierárquico e estratificado da árvore, presente em grande parte das arquitecturas digitais, em oposição a um olhar mais rizomático e caótico. A revista explora ainda alguns livros de design fundamentais (21), onde se podem encontrar de facto algumas preciosidades, livros que qualquer estudante de arte e design não pode deixar de conhecer. Tenho que agradecer ao meu aluno João Aguiar por me ter chamado a atenção para este número da Computer Arts.

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A revista Monocle de Julho e Agosto traz um suplemento sobre as 25 cidades do mundo de topo em matéria de qualidade de vida apontando Lisboa como a 25ª cidade do ranking. Uma vez que estamos em altura de ponderar sobre o futuro desta cidade parece-me uma boa sugestão compreender alguns dos critérios considerados: população, número de voos, crime, sol, tolerância, transportes públicos, arquitectura, ambiente, a facilidade de criação de um negócio, empresas instaladas, desenvolvimentos futuros e subjectividades Monocle, ou seja, restaurantes de preço médio e horas de relaxe ao Domingo. Uma leitura bastante ligeira, boa para levar para a praia, que coloca Zurique no topo e que nem sequer considera Londres ou Nova Iorque como cidades de eleição. Critérios bastante subjectivos que remetem Copenhaga para o segundo lugar, Paris para o oitavo e Kyoto no vigésimo segundo.

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Finalmente, a revista Nada de Julho, cujo site também foi recentemente lançado na galeria ZDB, apresenta alguns textos bastante interessantes como, por exemplo, “Acidente e simulação em J. G. Ballard” e uma excelente introdução e entrevista de Jorge Leandro Rosa: “Sobre as imagens cristalinas e o pensamento na arte, entrevista a Christine Buci-Glucsmann”. Buci-Glucsmann coloca de forma bastante acutilante o problema dos dualismos e mergulha-nos na estética como um “espaço crítico que pensa visibilidades. Quer dizer acções, complexos de acção, reacções. Ela é polissensorial. Esta estética polissensorial é uma estética alargada em relação aos conceitos tradicionais e clássicos da História da Estética, que se fazem, aliás, acompanhar da História da Arte, e parece-me muito importante para dar a pensar, através de uma crítica imanente, a mundialidade. Se não tivermos uma concepção alargada do estético, não poderemos pensar o fim do dualismo binário, seja o do sul e do norte, o feminino e o masculino, o negro e o branco, o Oriente e o Ocidente. Assim, esta concepção da Estética é uma concepção crítica que deve ser pensada na própria imanência crítica da mundialidade” (Buci-Glucsmann, 2009: 73). Um número com um design bastante elegante e que se lê com prazer.

May 11th, 2009

FESTIVAL OFFF 2009_UMA EXPERIÊNCIA!

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Depois de três dias a deambular pelo festival offf aqui vos deixo as minhas considerações gerais. O evento começou com a interessante comunicação de Neville Brody, “Make Trouble”, onde o designer inglês da Research Studios mostrou alguns dos seus trabalhos e salientou as suas preocupações em relação ao futuro. Para Neville Brody, a sociedade da vigilância e do medo geram um sentimento de angústia que surge da constatação que nenhuma época viveu uma consciência tão profunda que o futuro será pior que o presente. A mensagem de Neville Brody ecoou pela gigantesca sala “Roots” da Fundição de Oeiras: “For the first time in history we live in a place where the future looks worse than the past.”

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Seguiu-se a apresentação do colectivo Multitouch Barcelona, um projecto engraçado que junta interacção e jogabilidade na criação de instalações multimédia. Num dos corredores do edifício da fundição estava uma instalação do colectivo à volta do jogo Space Invaders. Nesta instalação diversas pessoas devem colaborar e atirar bolas à parece para matar os monstros que vêm tomar conta do planeta terra. À tarde só consegui ver as apresentações de Karsten Schmidt (toxi e postspectacular) e Eva Vermandel que me pareceram boas exposições de trabalho mas pouco eloquentes do ponto de vista da apresentação em si tendo em conta que são comunicações de uma hora que se ficaram um pouco pela mostra do portfólio dos artistas. Infelizmente perdi os U.V.A. e James Paterson + Amit Pitaru que, segundo ouvi, foram duas boas comunicações.

Sexta-feira o dia foi em cheio. De manhã ainda ouvi dois colectivos de designers portugueses no painel dedicado ao design nacional: Alva e This is Pacifica. Infelizmente perdi a apresentação dos R2 Design. Os Alva apresentaram um polémico vídeo sobre o atelier, um misto de filme/entrevista cómico que gerou algum mal-estar entre os presentes. Eu sinceramente tenho uma opinião neutra, achei alguma piada à estratégia usada, por introduzir algumas críticas a alguns clichés recorrentes na área do design no que respeita à relação com os clientes, mas aquele apelo aos machos alfa também pode ser entendido como algo completamente despropositado ou uma forma cabotina de exposição sem outra intenção que não seja produzir um efeito de riso (aha aha aha, que interessante). Nem sei… vejam o vídeo aqui. Acho que no final fica mais a sensação de algo tonto. Os This is Pacifica foram mais discretos e mostraram um interessante trabalho para o 32º Fitei.

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A conferência de Aaroon Koblin foi bastante recheada e quanto a mim das mais interessantes que vi no festival embora o som estivesse péssimo e nessa altura ainda não tivesse descoberto o truque dos auriculares. Aaroon Koblin mostrou vários dos seus projectos de visualização de informação que lhe permitem, como artista, examinar alguns padrões nas tendências culturais. O autor usa arquitecturas colaborativas, Ten Thousand Cents é um exemplo, para gerar sistemas que emergem a partir do contributo de inúmeras pessoas e enquadrou muito bem os seus projectos e a sua investigação de mapeamento de dados num cenário mais vasto de experiências. A obra The Sheep Market, criada por diversos trabalhadores on-line, remete-nos para a frase “desenha-me uma ovelha” do principezinho de Saint-Exupéry. Muito bem estruturada e estimulante a comunicação.

À tarde vi Champagne Valentine um colectivo holandês com piada com trabalhos muito experimentais e que misturam media diferentes. Tiram partido de inúmeras assemblages numa ambiência estranha que mistura vídeo, jogos digitais, animação, cinema, tecnologias móveis, entre outros. Uma experiência rica do ponto de vista visual e musical.

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Seguiu-se a excelente apresentação de Robert L. Peters, uma dissertação muito bem construída sobre os seus interesses e experiências, entrecruzada por citações e imagens de inúmeros autores que nos podem ajudar a perceber o que pode ser fundamental para a construção de um campo de trabalho sustentável e inclusivo. O poster “bombing for peace is like fucking for virginity” e a mensagem de activismo que sugere fizeram-me pensar no impacto que Bruce Mau deve ter tido com o seu “An Incomplete Manifesto for Growth” no Doors of Perception há mais de dez anos… No ecrã de Robert L. Peters as imagens sucediam-se: o panda Mickey Mouse elaborado por um artista chinês; as diferentes formas de interpretar as obras de design a partir de culturas distintas, as viagens; as frases de Marshall McLuhan e tantos outros autores. Um momento de paz presenciado pelos quase 4 milhares de espectadores que se levantaram pela primeira vez para aplaudir. Robert L. Peters não mostrou só os seus trabalhos, como tantos outros que passaram pelo offf, misturou-os com outros autores, para assim sugerir alguns pontos de ligação do trabalho criativo e salientar o que vale a pena salientar num mundo que pode estar a cair. This isn’t falling… Não, não estávamos em queda. Através das palavras de Robert L. Peters voámos bem alto e metaforicamente fomos acompanhá-lo numa das suas escaladas pelas montanhas. Foi o momento, quanto a mim, mais elevado de todo o festival. Um privilégio. A única apresentação ainda em powerpoint acabou por ser a mais recheada de todas. Como o autor começou por anunciar, uma apresentação de alguém que nasceu muito antes da maioria das pessoas da assistência, quando a imagem da terra vista do espaço era ainda uma miragem. A seguir os Onesize pareciam ainda umas formiguinhas e fui até lá fora dar um passeio.

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A apresentação de Pes foi muito engraçada e os filmes stop motion que o artista constrói usam materiais e criam ambientes que vale mesmo a pena conhecer. Pes tem a particularidade de trabalhar apenas cinco meses por ano em filmes comerciais para agências de publicidade e dedicar o resto do seu tempo aos seus projectos pessoais. Assim, consegue o distanciamento que lhe permite uma análise crítica da sua produção. Muito engraçada a forma como explicou o processo de trabalho de utilização de um homem como boneco na construção do filme Human Skateboard. E assim surgiu a tão esperada conferência de Paula Scher, uma mistura do que a designer americana já fez em outras conferências (“Helvetica” e “Great Design is Serious”) com algumas particularidades curiosas, nomeadamente a referência aos galeristas com quem tem que lidar quando se dedica a expor os seus mapas subjectivos. Segundo Paula Scher, estes galeristas e curadores deixam os economistas e gestores do Citi Bank no charco em matéria de estratégias de negócio. Para quem trabalha nos dois meios, corporativo e cultural, é óbvio perceber como os esquemas pouco transparentes da cultura são, por vezes, muito mais perversos na forma como tratam os artistas. Num caso conhecemos as regras, no outro, estas mudam ao sabor das vontades do momento. Uma boa comunicação mas muito centrada no seu próprio trabalho e, nesse sentido, pouco generosa.

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E depois chegou Joshua Davis. Com um trabalho interessante mas uma presença e uma performance em palco que se tornam insuportáveis na sua recorrente chamada de atenção, arrogância e vaidade. Um registo infantil que talvez por isso mesmo agrada imenso aos mais novos que adoram e riem das dezenas de fuck funny, fuck that, fuck there… riem das piadinhas do rapaz tatuado que desenha bastante bem e se dedica à construção de padrões a partir de meia dúzia de objectos e regras algorítmicas. A instalação presente num dos corredores da fundição de Oeiras é, para mim, bastante estranha e o trabalho está a começar a resvalar também para o piroso mas enfim… sai antes dele acabar pois já não aguentava aquele rol de tontices e sinceramente nunca pensei que fosse tão patético. Fico-me pelo trabalho e aceito que tem algumas dimensões a explorar mas fiquei nitidamente com a sensação que é um construtor de padrões visuais repetitivos que um dia vai sair de moda, como uma tendência entre estações, será que Joshua Davis sabe sair da sua redoma espacial? O tema da apresentação era o espaço.

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Sábado assisti à apresentação de Si Scott Studio que, diga-se com alguma honestidade, mostrou trabalho curioso na área do desenho aplicado ao design mas que na generalidade fez uma comunicação cansativa e entediante. Vi ainda o painel Nerdferences, dos mais curiosos, onde foram apresentados um conjunto de projectos de design do tipo DIY (“do it yourself”) e a comunicação de Peter Kirn, artista media muito ligado à música e criador e editor do site Create Digital Music, entre outros. Um momento bastante inspirador. Seguiram-se os Digital Kitchen que mostraram alguns dos seus trabalhos, um conjunto de projectos elaborados no contexto de uma empresa criativa de produção cinematográfica, design experiencial, motion graphics e identidade corporativa para entretenimento. Com agências espalhadas por Nova Iorque, Chicago, Seattle e Los Angeles, os Digital Kitchen, criaram campanhas para a Microsoft, AT&T, Budweiser, Mercedes, genéricos de séries para televisão como “Dexter” e “Six Feet Under“, entre muitas outras coisas.

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Finalmente, apareceu o guru do festival, Stefan Sagmeister, e assim entendi que vivia numa época em que os designers se transformam lentamente em padres. Com uma performance bem construída, um vestido de alças em cima de umas calças de ganga e uns gestos bastante femininos, o designer austríaco anunciou, com uma imensa delicadeza, o tema da sua apresentação – a felicidade – e mostrou os seus trabalhos dos últimos anos. Longe da body art e da tipografia orgânica dos primeiros tempos, Stefan Sagmeister, parece agora preocupado com temas mais “optimistas”. A conferência pareceu-me bastante egoísta nos dias que correm e muito pouco preocupada com temas que deveriam preocupar a agenda de todos nós mas enfim… Sai do festival com a sensação que a escolha de ”tracks” inicial da apresentação do austríaco era um “shake” de temas bem misturados no intuito de provocar um efeito no público, uma cortina de fumo: gémeas que crescem em ambientes separados e têm filhos na mesma idade; aplicação de ambos os hemisférios cerebrais; diferenças entre géneros; e depois a felicidade e a ausência de dela…

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O festival offf para mim correu muito bem e só faltou mesmo uma comunicação da curadora do MoMA, Paola Antonelli, para relativizar tendências e aumentar a massa crítica. O ambiente foi calmo e organizado e apenas uma ida à casa de banho fazia descer os níveis da adrenalina pois embora sem fila o contentor era imundo. De resto, o festival é uma experiência que recomendo vivamente, uma montra muito significativa da criação digital contemporânea na sua vertente mais mixada: animação, música, vídeo, arte, design, cinema, televisão, criatividade, comunicação. Para o ano lá estaremos de novo. Já está confirmado que é em Lisboa?

April 23rd, 2009

FESTIVAL OFFF 2009_7. 8. 9_MAIO_CONTAGEM DECRESCENTE!

Posted by mouseland in divulgação, arte e design

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Já estamos em contagem decrescente para o Festival off, International Festival for the Post-Digital Creation Culture, que vai decorrer em Oeiras nos dias 7, 8 e 9 de Maio. De acordo com o site do evento: “Since 2001, OFFF festival has been held in Barcelona, becoming the globally recognized and trendsetting event it is today. The three-day festival showcases top digital artists, web, print and interactive designers, motion graphics studios, and new music adventurous. OFFF festival provides insight into all culture media platforms.” Este ano consegui não deixar escapar o prazo e estou com bastante curiosidade de ver as apresentações de Paula Scher, Neville Brody, Digital Kitchen, U.V.A., entre tantos outros. Pena que não se dediquem também à área dos jogos independentes. Já merecia um track dedicado a uma das áreas mais interessantes da cultura digital, não?! Mais informações aqui.

April 20th, 2009

“A ARTE ANTES E DEPOIS DA ARTE”_CULTURGEST_04.11.18.25_MAIO 09

Posted by mouseland in divulgação, arte e design

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Nos próximos dias 4, 11, 18 e 25 de Maio de 2009 vão ter lugar na Culturgest em Lisboa as conferências “A arte antes e depois da arte”. Este evento tem como intuito promover a futura abertura do Museu do Côa e é coordenado por Maria Teresa Cruz, investigadora e professora na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Uma oportunidade única para ouvir alguns conferencistas de renome internacional, como Mario Perniola, José Jiménez, Gilles Tiberghien, entre outros. A ideia é contribuir para um melhor entendimento sobre o património das gravuras do Côa contextualizando-o no âmbito internacional e artístico. Um programa a não perder às segundas-feiras durante o mês de Maio.

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