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October 29th, 2009

RIO DE JANEIRO_OUTUBRO_09

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Este blog tem andado com falta de novidades e, por isso, vou fazer um condensado de reflexões, considerações, divagações… Tenho andado literalmente “entalada” em matéria de trabalho. O semestre a começar em força e a viagem ao Rio de Janeiro deixou-me bastante debilitada fisicamente por diversas razões. Este último fim-de-semana consegui, finalmente, fazer boas refeições e dormir profundamente horas suficientes para manter os níveis de adrenalina elevados. Passei a noite da véspera da viagem para o Rio de Janeiro a preparar a sinopse da minha próxima apresentação em Madrid. Nada melhor para ajudar a passar a noite, que já tinha que ser em branco, uma vez que a partida era de madrugada. Assim, no próximo dia 20 de Novembro vou apresentar a comunicação Beyond Art: Digital Aesthetics and Gameplay, advogando que: Gameplay is a core concept in digital aesthetics and can be helpful for us to understand how digital games are beyond art and is the best cultural artefact to speak about digital aesthetics. Taking into account Brian Sutton-Smith statement: “where once art was at the center of moral existence, it now seems possible that play, given all its variable meanings, given the imaginary, will have that central role” (Sutton-Smith, 1997: 144), this presentation will focus on art games, retro games and machinima but also games from the industry to express some perspectives about gameplay and aesthetics. Tenho uma hora para defender esta tese. Mais informações aqui e aqui. Agradeço, desde já, o convite que me foi endereçado por Flavio Escribano do Ars Games, redefining arts & videogames, para participar neste evento: Game Art & Game Studies International Festival.

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No avião para o Rio conheci uma suíça que se sentou ao meu lado devido ao frio gelado do ar condicionado. Bastante simpática mas algo preocupada com as férias que tinha escolhido no Brasil, tudo por causa da segurança. Trocámos algumas ideias e penso que terá ficado mais descansada. Suspeito que existe alguma relação entre o arrefecimento dos aviões e a gripe A pois na semana anterior o P. voou para São Paulo e queixou-se do mesmo problema. Mas nada que possa provar, portanto, mais vale abandonar o assunto. A viagem foi pacífica mas no avião presenciei duas quedas em “poços” de ar daquelas coisas que deixam qualquer pessoa nervosa. Fiquei muda e hirta a olhar para a Monique que teve a mesma reacção que eu. O modelo do avião da Ibéria, onde viajei, não tinha ecrãs de vídeo e jogos individuais pelo que qualquer hipótese de ver filmes ficou logo gorada. Como não estava capacitada para ler acabei a dormitar de forma intermitente.

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Cheguei ao Rio de Janeiro era noite cerrada e a procura de um táxi foi no mínimo hilariante. Cinco senhoras gritam aos turistas, dos quatro ou cinco guichés disponíveis no aeroporto, a oferecer os serviços de táxi. Depois, é só pagar e procurar o táxi que nos calhou na rifa. No meu caso, um rapaz veio ter comigo mas claro que, bem desconfiada, não lhe passei a mala para a mão sem confirmar a cor do veículo que tinha ao meu dispor. O código era: frota azul, vermelha, preta ou prata. A frase queria dizer pouco e o sistema é totalmente falível mas o rapaz ainda teve que me apresentar o logótipo na camisa. Lá “embarquei”, com um senhor de idade, bastante simpático, e passei por uma fila de trânsito assinalável até chegar ao Rio. As favelas vão desfilando e à noite o cenário é mesmo fantasmagórico.

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Chegar ao hotel em Copacabana foi um conforto imenso e adormeci depois de devorar o resto de uma sandes que trazia comigo desde madrugada. Na manhã seguinte, debaixo de chuva, lá fui até à PUC, de táxi, tentar regularizar a minha inscrição, e a de um colega, no simpósio, uma vez que em Lisboa tinha sido impossível a Universidade fazê-lo pois a organização não aceitava transferências bancárias. Iniciei a minha escalada pelo surrealismo… O evento também não aceitava pagamentos Visa e nenhum dos bancos, Santander, Itaú, Banco do Brasil, entre outros, no interior da universidade, permitia o levantamento com cartões Visa. Depois de “implorar” aos “capangas” da segurança dos bancos inúmeras vezes para entrar nas suas dependências no sentido de verificar outras possibilidades, lá percebi que tinha que ir chorar a minha entrada naquele dia e voltar lá no dia seguinte com a quantia da inscrição em dinheiro. Ora, andar com dinheiro “vivo” no Brasil é quase tão mau quanto andar com um Visa Electron mas o P. chegava no dia seguinte e seria a minha salvação porque, para mim, ir procurar um banco em Copacabana e andar por ali a testar levantamentos era impensável. Aprendi, nos meses de estada em São Paulo durante três anos, que há coisas no Brasil que só se fazem quando têm mesmo que ser feitas e a organização tinha que resolver a minha situação senão ficavam sem “palestrante” por vinte minutos. Assim aconteceu. Fui ao balcão de atendimento do Sbgames 09 e convenci a senhora a dar-me acesso nesse dia que voltava lá no dia seguinte para fazer o pagamento. Nesta fase já tinha lutado comigo própria, e com os meus nervos, muitas vezes, e permanecer, a apanhar chuva, entre cá e lá, nos edifícios da PUC, a resolver coisas insensatas, foi suficiente para ter vontade de abortar a missão mas, finalmente, lá me aguentei.

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Depois, quando olhei para o mapa, com os vários sítios dos eventos, que finalmente me forneceram juntamente com o crachá mas sem os restantes materiais, percebi que encontrar o lugar onde teria que estar ia ser mais uma aventura. Perguntei, perguntei, ninguém sabia de nada… até que, finalmente, depois de muita subida e descida de escadas lá cheguei. Tinha imenso tempo mas decidi não arredar pé pois começava a sentir os efeitos do jet lag. No espaço das apresentações estava a decorrer outro evento qualquer e a sala estava ainda cheia. Fui logo avisada que aquilo ia atrasar bastante mas, nesta altura, já estava pacificada à espera da hora de cumprir a missão e de me “pisgar” para o hotel. O resto da tarde decorreu dentro da normalidade num evento destes. Encontrei a Lynn Alves e conheci dois portugueses da Universidade de Coimbra que, muito simpáticos, me vieram avisar que estava tudo atrasado. Falei, recebi felicitações, ouvi as outras intervenções e, por volta das 19h, decidi regressar ao hotel pois já não aguentava estar mais tempo sentada depois do voo da véspera. Decidi abandonar a sala cedo demais segundo percebi mais tarde. Perante uma noite cerrada e muita chuva, pedi ao porteiro da universidade para me arranjar um táxi. Enviou-me para uma fila de pessoas enorme e, claro, momentos depois pude constatar que só arranjava táxis às pessoas que conhecia enquanto nós, na bicha, os víamos passar à nossa frente. Apanhei uma molha, esperei uma hora e, o pior, estava bastante frio e eu não estava assim muito agasalhada.

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Quando cheguei ao hotel dei 4 reais de gorjeta ao taxista que me levou com bastante rapidez e empenho da Gávea a Copacabana, uns 40 minutos, estava tudo parado… Fui num carro a cair de podre mas com uma excelente banda sonora. O senhor sorriu nitidamente perante o exagero da minha gorjeta e disse-me que o problema daquele dia é que as ruas estavam todas entupidas devido à chuva que não parava. Cheguei ao hotel e pedi uma deliciosa canja, como só os brasileiros fazem e que é quase tão boa quanto a nossa, hehehe, e uma “pasta”. Tudo no quarto. Não tinha energia para sair e adormeci a ouvir as notícias.

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Sexta-feira, dia 9 de Outubro, o P. chegou de São Paulo logo às dez da manhã e foi regularizar as coisas comigo à PUC. Fui mostrar-lhe as instalações e o refeitório da Universidade e tentei falar com algumas pessoas da organização, em vão, ninguém sabia onde estavam ou quem eram. O mesmo “número” da véspera. Continuava a chover copiosamente e por isso comprámos umas pastas para proteger os materiais da inscrição. Falámos com dois “rapazes” da Trinigy (GmbH e Brasil) e circulámos por lá. O regresso ao hotel foi mais fácil porque ainda era dia e à noite fomos jantar a um restaurante tradicional japonês, Azumi, nas redondezas do hotel. Uma experiência gastronómica que recomendo vivamente para quem foi ou vai ao Rio de Janeiro. Ainda nos sentámos no bar do rés-do-chão do nosso hotel antes de deitar mas o ambiente não era muito recomendável. Pelo que me dizem, acho que é assim em Copacabana por todo o lado, e logo nos lembrámos porque é que da outra vez tínhamos ficado em Ipanema, com a favela muito mais presente, mas sem esta aura decadente de droga e prostituição. O hotel era de um “padrão” elevado, como dizem os brasileiros, escolhido “a dedo” e nada barato e mesmo assim… Nesta fase, e depois de várias viagens pelo Brasil, já interiorizei bem o verdadeiro significado da expressão “gato-por-lebre”. Em poucos minutos conseguimos ver um ataque de prostitutas aos turistas do nosso hotel, a tentativa do porteiro bloquear a entrada das referidas senhoras no lobby deste, uma passagem de droga… Nunca tinha visto nada tão descarado na vida. Um rapaz foi embaraçosamente assaltado por uma senhora que lhe começou a disparar beijos na cara e na boca e o mesmo, estupefacto, teve que a enxotar, sem dó nem piedade. Deprimente q. b..

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No dia seguinte, ainda debaixo de chuva, fomos visitar o MAM, Museu de Arte Moderna, e vimos umas exposições interessantes. Jantámos no restaurante do hotel, com uma vista maravilhosa da praia deserta, devido ao mau tempo, de Copacabana. Na manhã seguinte tomámos o pequeno-almoço com um casal de amigos de São Paulo e partimos para o aeroporto. O taxista que nos levou disse-nos que não tinha memória de ver tanta chuva seguida no Rio de Janeiro. Só na manhã da partida é que fez sol. A minha segunda ida a esta cidade fez-me pensar em algumas coisas relativamente a São Paulo: no Rio de Janeiro os “sucos” de fruta são mais frequentes e melhores; o Rio fica muito mais bonito sem gente por todo o lado e a praia parece mágica vazia mas, a cidade sendo muito mais charmosa que São Paulo, continua, para mim, sem a mesma magia, talvez devido aos negócios… Em São Paulo parece haver uma cultura de maior exigência; o Rio de Janeiro é mais cosmopolita, afirma-se como a capital cultural do Brasil, será que é? O turismo dá-lhe vida, sem dúvida, mas parece em muitas coisas uma cidade provinciana. Ok, confesso. Para mim nunca será uma metrópole maravilhosa e estava à espera de ver muito mais entusiasmo em relação aos Jogos Olímpicos de 2016. Acho que as pessoas percebem bem os inúmeros problemas que têm pela frente e devem ainda estar aterradas com a perspectiva. O aeroporto é um evidente espelho da cidade e a cena dos balcões de táxis, com as diversas senhoras aos berros à cata do cliente, é tão surreal que parece que chegámos ao fim do mundo. Não sei se é porque não tenho muita sorte com as minhas viagens ao Rio de Janeiro, se a cidade é apenas algo superficial para mim ou, se tudo me escapa sempre porque São Paulo é, de facto, mais interessante na sua estrutura caótica. A viagem ao Rio teve o efeito de me levar de volta a São Paulo. As fotografias do Rio de Janeiro foram todas tiradas em 2003, com sol. As fotografias em baixo são de São Paulo, uma cidade onde vivi uns tempos e onde um dia vou voltar.

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Em Madrid fiquei cinco horas à espera do próximo voo para Lisboa e chegar a casa foi um alívio. No dia seguinte tinha aulas para dar. Os meus agradecimentos à Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (projecto infomedia) por ter financiado o meu bilhete de avião para o Brasil.

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September 8th, 2009

DESIGN MUSEUM_DESIGN DISTRICT_HELSINQUIA_AGOSTO 09

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Se a colecção permanente do Design Museum de Helsinquia é interessante q. b. as exposições temporárias na área da tecelagem aplicada a tecnologias antigas e contemporâneas foram uma verdadeira desilusão. A mostra permanente de design de equipamento e design visual está bastante bem enquadrada em pequenos excertos de texto que contextualizam na perfeição a temática mas o resto… das mostras temporárias à loja do museu nada faz justiça à terra de Alvar Aalto. Uma desilusão! Mais vale uma visita às lojas Artek, Marimekko e Iittala, no centro da cidade, e deambular pelo Design District Helsinki: “Helsinki offers an ideal place to get to know Finnish design and to buy top-class Finnish design products. Located in the centre of Helsinki, the Design District Helsinki is an area full of design and antique shops, fashion stores, museums, art galleries, restaurants and showrooms. Here you can find the most interesting names, classics, trend-setters and so much more. Design District Helsinki is a neighbourhood and a state of mind. It is 25 streets and 170 spots on a map from shops to galleries and from design studios to design hotels. It is creativity, uniqueness, experiences, design and Finnish city culture.” Mais informações aqui.

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September 7th, 2009

THE FINNISH MUSEUM OF PHOTOGRAPHY_HELSINQUIA_AGOSTO 09

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No The Finnish Museum of Photography, que comemora este ano quarenta anos, tive oportunidade de apreciar a enigmática instalação de Santeri Tuori, Forest de 2009, uma obra que combina, em diferentes tempos (uma imagem é tirada no Inverno e outra no Verão) duas projecções provenientes de imagens recolhidas na ilha filandesa Kökar. A imagem estática é uma fotografia a preto e branco onde é projectada uma imagem em vídeo (slow motion), a cores. A sensação é fantasmagórica e sugere o efeito do vento sobre a imagem estática. No site da Galerie Anhava podemos ler: “Tuori’s work can be seen in relation to tradition of landscape painting. But comparing to conventional two dimensional still image, Tuori aims to create an illusion of stepping into a forest. Viewer is surrounded by lifesize trees moving and sounds that strengthen the sense of physical experience. The soundscape imitates actual sound in a forest as the viewer has feeling of sensing something distant and at the same time something that comes very close. One can hear noises of blowing wind. Forest (Reddish) challenges the possibility of picturing nature on a flat surface by using form that appeals not only to sight/seeing. Tuori’s representation of nature also changes continuously. Trees move back and forth as if refusing to be captured in a single image. Power of the work is enhanced by the dramatic movement of the branches”. Mais informações aqui.

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Na mesma exposição vi a fotografia Emre’s Umbrella de Elina Brotherus, filandesa nascida em 1972 em Helsínquia. Esta fotografia remete-nos para uma narrativa sobre o chapéu-de-chuva que a artista recebeu da jovem curadora, de nome Emre, da exposição que inaugurou em Instambul. Na noite da inauguração da exposição, porque de repente começou a chover, Emre saiu à rua para comprar um chápeu-de-chuva barato para Elina Brotherus e, na fotografia, podemos ver a artista com esse objecto. No The Finnish Museum of Photography vi ainda outras obras de Elina Brotherus assim como o vídeo Tango Lesson de Elina Saloranta: “Elina Saloranta’s videowork Tango Lesson was shot at a dance practice. The camera concentrates on the dancers’ upper bodies: their chests, shoulders and arms. To our surprise, the picture reveals that the woman is pregnant. The soundtrack has been made from the viewpoint of the child in the womb. The source for this is research data on the sounds heard by a foetus. Tango Lesson is an attempt to imagine how a child in the womb experiences dance. Another theme that emerges is the relationship between art and empirical science.” Mais informações aqui. No mesmo museu encontrei os bonecos (esculturas) de Rainer Kaunisto ali apresentados como referência ao TeatteriMuseo no andar de cima.

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September 7th, 2009

“TRACKING TRACES”_MUSEUM OF CONTEMPORARY ART KIASMA_HELSINQUIA

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A exposição Tracking Traces no Museum of Contemporary Art Kiasma em Helsínquia apresenta uma diversificada mostra de arte contemporânea que examina as pessoas, a natureza e a cultura através de uma variedade de traços que tanto podem estar no corpo humano como nas imagens da publicidade e do espaço urbano. Esta exposição é a décima exibição a partir da colecção do Museu Kiasma e alerta-nos para a necessidade de olharmos para o mundo que nos rodeia de forma a encontrarmos nele mensagens e signos forjados pelas artes: “the world that surrounds us is full of signs and messages - traces of the world that contemporary art makes use of by copying, recycling, sampling and commenting on them. Traces can be found near and far: on the human body, in advertising images, on cereal packets and in the urban space. The traces can be physical imprints, visible signs, actions or memory traces. Some of the traces are left consciously, others are accidental. The one thing shared by the traces in the exhibition’s works is that they transmit as well as shape our idea of ourselves and of the world. They are about life and the need for interaction.”

A mostra Tracking Traces questiona o papel da arte contemporânea e a interpretação que a mesma faz dos “traços” deixados pela cultura da publicidade e do entretenimento assim como também se debate com a recorrente aplicação de dados provenientes de inúmeras fontes distintas numa mixagem evidente: “the world abounds in reinterpreted images. Product images, ads and logos are the currency of signs in contemporary art. The bar code, familiar from the world of trade and commerce, contains coded information about a product. Contemporary art occasionally operates in a similar way; a familiar thing is presented in a new context or in a different package. Searching for material for their work, artists sometimes explore the history of art, or borrow elements from the world of entertainment or advertising. A reinterpretation often reveals the artificiality of things. Mais informações aqui. Estarão em exposição, até meados de Fevereiro de 2010, 122 trabalhos organizados segundo três categorias, i.e., smudge, barcode e imprint. Os projectos são de 51 artistas e embora, no geral, o conjunto das obras me tenha parecido algo desequilibrado estas estão ancoradas numa excelente ideia. A arquitectura do Museum of Contemporary Art Kiasma é de autoria do arquitecto Steven Holl (1998) e o edifício é um aliciante projecto que alia a “escultura” urbana para praticar skate ao edifício global, tudo numa harmoniosa composição.

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April 19th, 2009

“EMOTIONAL OBJECT”_UM PIÃO EM EQUILÍBRIO RECOMBINATÓRIO

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Na última sexta-feira fui visitar o “EMOTIONAL OBJECT” à galeria ZDB em Lisboa. Este projecto foi concebido e produzido pelo colectivo de artistas constituído por Adriana Sá (PT), Jared Hawkey (PT), John Klima (US) e Sofia Oliveira (PT) e apresenta-se como um jogo/instalação de interacção em tempo-real para múltiplos jogadores. A experiência pode ser vivida por um a quatro participantes e pressupõe a harmonia (equilíbrio) do objecto a partir das emoções seleccionadas e presentes num menu da interface gráfica. A representação 3D de um pião dá as boas-vindas ao jogador e possibilita a escolha entre os 24 estados emocionais à la carte, constituídos por sons e cores que combinados fazem o objecto analógico agir. Podem consultar o site do projecto aqui e perceber os contornos da obra: “Como instalação interactiva EMOTIONAL OBJECT é um jogo multi-user que convida os visitantes a interagir com uma mecano-escultura e uma composição musical através de um interface digital. O jogador procede especulando que emoção resultará de uma determinada acção, e que efeito terão as suas escolhas individuais sobre o colectivo.” Passem por lá até dia 2 de Maio!

December 26th, 2008

MIGUEL SOARES VÍDEOS E ANIMAÇÕES 3D_CULTURGEST_2008

Posted by mouseland in exposições

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Fui hoje finalmente ver a exposição de Miguel Soares na Culturgest. Andava desde a inauguração com vontade de ir ver os trabalhos do autor agora expostos com uma curiosidade que poucas vezes tenho em relação a estas retrospectivas de arte contemporânea tão “engajadas”, como dizem os brasileiros a partir do termo francês. Conheço bastante bem o percurso do autor que tenho seguido com atenção desde que fomos contemporâneos nas Belas Artes e estava genuinamente com curiosidade em relação a estes vídeos e animações 3D, que seguem um período de 1999 a 2005, existindo, no entanto, uma obra sobre videojogos catalogada com a data de 1996 e que julgo ter visto, em tempos, em exposição na galeria Monumental. O vídeo, SpaceJunk, versão beta 1.0, ou pelo menos impressões a partir deste, também já tinha visto na Sala do Veado do Museu Nacional de História Natural, algures nesta década, numa mostra organizada pela Galeria Luís Serpa Projectos.  

A exposição agora apresentada na Culturgest é interessante mas tem, para mim, coisas muito mais consistentes do que outras. Algum desequilíbrio nas opções escolhidas, que só a excelente banda sonora que acompanha todas as obras, sem excepção, vem colmatar. Nostálgica q.b. mas muito boa em matéria de sonoplastia e na escolha dos temas propostos nas diversas composições sonoras é bastante imersiva e transporta-nos facilmente para as visões distópicas e subversivas do autor. Assim, somos catapultados para um remix de perspectivas sobre o mundo que oscilam entre uma concepção deste como um espaço algo naturalista e onde se subentende que a Terra é de certa forma conspurcada pela tecnologia e, uma outra, também com raízes evidentes na ficção científica, onde o design, por via da técnica e da estética, transforma a vida humana e o espaço urbano num lugar mais aceitável.

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Penso que os dois vídeos “voyeur”, Expecting to Fly e Untitled (two), a partir de uma varanda da casa do autor e cujos bizarros acontecimentos, um desastre, no primeiro, e desavenças entre condutores, no segundo, importunaram Miguel Soares enquanto este trabalhava nas suas animações por computador, poderiam fazer mais sentido no YouTube. Estes vídeos, parecem ali deslocados e sugerem uma outra direcção que não aquela depois desenvolvida nas obras que veremos posteriormente. Fazendo um percurso algo linear pela exposição, segue-se o vídeo Y2K, de 1999, sobre o bug do ano 2000 e realizado usando software não profissional. Depois, Times Zones, de 2003, para os Negativland. Este trabalho é curioso pelo imaginário da Guerra Fria e pelo clima conseguido na composição gráfica. GT, de 2001, é dos meus projectos favoritos pela ironia evidente. O trabalho é inspirado no jogo de computador Interstate 76 e conta a história de três carros que seguem no encalço de uma rapariga. No final apresenta-se uma diva estereotipada a 3D. Place in Time, de 2005, leva-nos até um vale recriado ao longo dos tempos centrando a narrativa na personagem de uma barata que percorre todas as transformações deste. Com uma boa ideia e algumas imagens belíssimas o vídeo não é totalmente conseguido por alguns desequilíbrios ficcionais e visuais. Se há imagens realmente magníficas do tipo fantástico outras, mais abstractas, parecem mais grosseiras e a junção entre ambas nem sempre parece acompanhar o conceito. Penso que é, no entanto, um trabalho bem conseguido e que vale mesmo a pena ver.

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Com Place in Time mas também com Archbunk3r Associates, de 2000, e com SpaceJunk, de 2001, deparamos com uma narrativa e estética ecológicas. Em Archbunk3r Associates constrói-se um catálogo de um estúdio fictício de design e arquitectura que opera em Marte. Esta é, quanto a mim, a obra menos consistente e torna-se quase uma graça sem sentido ao fim de alguns segundos. Inventivo sem dúvida mas um trocadilho que fazia sentido em qualquer plataforma como o Second Life e que se baseia demasiado numa concepção do estranho e do alienígena como semelhante, ou seja, a vida em Marte é transcrita de forma mimética à vida terrestre. Então, é caso para perguntar, para quê a simulação? 

Muita coisa haveria para dizer desta retrospectiva de Miguel Soares na Culturgest, são seis anos de produção em vídeo arte, que falam sobre mundos virtuais (os active worlds vieram-me recorrentemente à cabeça), software (Poser, Bryce, Corel Dream 3D, são apenas alguns), criação digital e jogos de computador misturados com uma excelente banda sonora, revivalista e nostálgica. Uma encenação sobre a cultura contemporânea e as suas ambiguidades, coisa que Miguel Soares sempre soube fazer, pelo menos desde as primeiras exposição na Galeria Monumental e que podem ser vistas em fotografia e vídeo aqui e aqui. Passem por lá se tiverem tempo pois acaba dia 4 de Janeiro e a viagem compensa.

November 11th, 2008

“WACK! ART AND THE FEMINIST REVOLUTION”_VANCOUVER 08

Posted by mouseland in ciberfeminismo, exposições, viagens

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Uma ausência de quase um mês na actualização deste blogue não é desculpável mas a minha vida tem sido o caos completo. Cinco dias em Vancouver, ver aqui, dois dias no Porto, ver aqui e aqui, mais aulas pelo meio… algumas de compensação… e mais uma comunicação na próxima Sexta-feira no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, de destacar o programa on-line. Para quem não gosta nada de falar em público isto é caso para se dizer “dá deus nozes a quem não tem dentes” mas a vida tem destas contradições. 

Em Vancouver, entre simulações de 20 minutos em inglês para treinar a apresentação no ACM Multimedia, fui espreitar a excelente exposição WACK! Art and the Feminist Revolution, segundo o site da Vancouver Art Gallery: “o primeiro ensaio internacional que expõe de forma sistemática um conjunto de trabalhos que exploram as relações dinâmicas entre arte e feminismo no período que vai de 1965 a 1980”. Cento e vinte artistas com trabalhos patentes numa mostra organizada pelo Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles agora disponível na Vancouver Art Gallery.

A exposição é muito interessante e está verdadeiramente bem estruturada em matéria de temáticas ou áreas de abordagem, passando pelas relações intrincadas entre a produção artística feminina e os discursos emergentes a partir dessa mesma produção. A construção de um corpo de trabalho no feminino é ali evidente e denuncia um conjunto de conceitos tratados de forma a expor os complicados papéis que a mulher, neste caso a artista, é convidada a explorar e a inquirir. A ênfase no corpo, nas tecnologias de lazer e/ou artesanais, a fabricação de sistemas de denuncia da constante depreciação do discurso construído por mulheres por parte dos homens, entre outros aspectos, como o público e o privado, a narrativa e a narração, fazem desta exposição e do seu catálogo um must. Se não fosse porque as mulheres têm de facto que se deixar ouvir não andava a pregar as minhas conversas nestes eventos todos! Hehehehe.

September 3rd, 2008

“THE ART OF CLAIRTONE, THE MAKING OF A DESIGN ICON, 1958-71″

Posted by mouseland in exposições, viagens

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A Clairtone Sound Corporation nasceu no Canadá há 50 anos e para comemorar a data a associação que promove a cultura do design neste país, Design Exchange, situada na bolsa de valores de Toronto, decidiu conceber uma exposição comemorativa da ocasião. Na mesma altura saiu o livro The Art of Clairtone: The Making of a Design Icon, 1958-1971, escrito por Nina Munk e Rachel Gotlieb (McClelland & Stewart, 2008). A exposição é muito interessante porque apresenta um conjunto de referências associadas ao projecto de mobiliário do sistema de som canadiano assim como opiniões sobre este provenientes de designers e escritores como Bruce Mau e Douglas Coupland, para citar apenas alguns. A Clairtone fomentava uma imagem de marca sofisticada, cosmopolita e liberal sendo conhecida por associar em todas as suas vertentes os melhores designers da época. Desde o logótipo minimalista até aos materiais gráficos institucionais da empresa, tudo era pensado de forma concertada. Fundada em 1958 por Peter Munk e David Gilmour a Clairtone produziu campanhas publicitárias criativas e modernas e empregou algumas das pessoas mais criativas da época (Carl Dair, Dalton Camp, Chris Yaneff e Hugh Spencer). Podem ver aqui o design da identidade da marca Clairtone assim como explorar outras produções canadianas.

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Na exposição patente na associação Design Exchange desmonta-se o processo de imposição da empresa Clairtone no mercado e podem ver-se as campanhas publicitárias da altura elaboradas para a marca, os vestidos dos modelos que participavam nesses anúncios, bem como os filmes onde o modelo G apareceu. Concebida com muita investigação e trabalho de campo na recriação e desconstrução da marca a exposição foi, para mim, uma boa surpresa.

September 2nd, 2008

TRIENAL DO QUEBEC_MONTREAL_2008

Posted by mouseland in exposições, viagens

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Com o lema “rien ne se perd, rien ne se crée, tout se transforme” a exposição da primeira trienal do Quebec que está patente no Museu de Arte Contemporânea de Montreal é no mínimo surpreendente pela sua geral falta de qualidade. Com duas ou três excepções, das quais saliento a obra do colectivo Doyon-Rivest, Logopagus, uma divertida instalação que conta com a criação de uma mascote dupla e uma narrativa bastante hilariante que pode ser apreciada no site on-line dos artistas. Saliento também a obra das WWKA (Women With Kitchen Appliances), um vídeo/performance produzido por um colectivo feminino, sobre a produção de música elaborada a partir de electrodomésticos e acessórios de cozinha. Finalmente, assinalo o trabalho do artista Romeo Gondora, Pardon, um vídeo elaborado a partir da confissão/revelação de quatro prisioneiros que se dirigem para a câmara de filmar. De resto, com uma ou outra obra também interessante a mostra é sofrível e tem algumas instalações mesmo de muito mau gosto técnico e estético.

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Mathieu Doyon e Simon Rivest (a dupla Doyon-Rivest) apropriam-se da linguagem publicitária na criação de um discurso artístico inspirado nas convenções e nas estratégias de marketing. O método e a estética da indústria da publicidade e do comércio servem para a concepção de um universo ficcional ambíguo que nos remete para o papel da assinatura, marca, logótipo. A marca, constituída por um símbolo e por um logótipo, serve de assinatura simbólica e é hoje um factor distintivo tanto nas estratégias da publicidade e do marketing quanto no mercado da arte contemporânea. Neste contexto, sustentados por um background nas artes visuais e outro no design, a dupla de artistas sugere a mistura de dois métodos de trabalho, o método implícito nas técnicas e estéticas do design misturado com as estratégias da arte contemporânea. A “mixagem” destes dois universos ou sistemas promove uma leitura aberta, integrada e interdisciplinar. Os artistas afirmam: “Our work is neither a criticism of nor an apology for advertising. Rather, we appropriate certain established conventions and strategies in advertising and transpose them to an artistic project”. A obra Logopagus é uma criação amiga das crianças, dos animais, das causas perdidas, dos defensores do ambiente, dos trabalhadores compulsivos e todo um rol de minorias e excluídos mas uma coisa é certa: “Logopagus is not the type to lose his good humour”.

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Women With Kitchen Appliances (WWKA) é um colectivo que trabalha desde 1999 e que conta com a presença de um número variável de mulheres nas suas apresentações, sugere uma plasticidade e uma dinãmica teatral interessante do tipo cabaret caseiro. Women With Kitchen Appliances é uma banda rock, um projecto de som e um acto performático. Como as próprias senhoras afirmam: “We are a rock band, a sound project, a cabaret act, a synchronized rubber glove routine, a BBQ chicken washing machine, a confectionary flour Christmas jingle and Kitchen certification service”. Podem encontrar um vídeo das Women With Kitchen Appliances aqui e o blog delas aqui. Divertido q. b..

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O trabalho em vídeo de Romeo Gondora, Pardon, é bastante intimista e mostra a confissão de quatro prisioneiros numa narrativa forte acentuada pela sincronização entre o relato áudio dos protagonistas e a sua apresentação escrita na parede ao lado do vídeo. Muito simples, com uma narração crua e dura, a obra é arrepiante na medida em que mostra os prisioneiros nas suas mais íntimas reflexões, um deles fala na primeira pessoa à mãe, confrontando o espectador com a sua pose voyer-descontraída e obrigando-o a sentir algum desconforto.

July 25th, 2008

“OUTRAS PELES” _ EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL DE MARCEL.LÍ ANTÚNEZ ROCA_ZDB 08

Posted by mouseland in exposições

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O universo de Marcel.lí Antúnez Roca, um dos fundadores do grupo La Fura Dels Baus, deveria dispensar apresentações pois já aqui foi sobejamente referenciado na mouselândia (aqui e aqui) mas não posso deixar de fazer referência à interessantíssima exposição que está patente até amanhã na galeria ZDB. “Outras Peles” (2008) é uma exposição individual do artista que reúne seis instalações interactivas, intervenções murais site specific, duas bioinstalações e uma sala de documentação.  

Em São Paulo em 2006 já tinha tido oportunidade de ver a instalação audiovisual interactiva “Tantal” (2004) mas não conhecia “Hipnotoc” (2008), “Alfabeto” (1999), “DMD Europa” (2007), “Epidermia” ou “K-Requiem” (1999), o robot que reage a sensores. As grandes surpresas foram “Epidermia” (2008), “K-Requiem” e “Alfabeto”, uma vez que há uns dias tinha visto uma outra versão de “DMD Europa” na mostra El discreto encanto de la tecnologia, artes em España no MEIAC de Badajoz. Se ainda conseguirem ir ver esta exposição não percam pois é um mergulho na obra do artista e segundo percebi ontem, em conversa com o comissário Natxo Checa, por cá a cobertura da imprensa não tem sido a melhor. Por agora vou deleitar-me a ver o filme que pode ser comprado na exposição, El Dibuixant (2005), sobre a obra de Marcel.lí Antúnez Roca.

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