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November 30th, 2009

ARSGAMES 09_MADRID ME MATOU!

Posted by mouseland in mouse conf., enigmas, viagens

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A viagem a Madrid correu bastante bem e, curiosamente, fiquei com vontade de lá voltar brevemente mas com tempo para divagar. Madrid recordou-me imenso Paris, nem sei bem porquê, se calhar porque estou a precisar de ir a Paris, onde vivi um ano há quase vinte anos… puro saudosismo e crise de meia idade? Cheguei à noite à capital espanhola e fiquei instalada na Puerta de Toledo, uma praça bem perto de La Casa Encendida, onde tinha que ir no dia seguinte falar. A estada foi muito, muito curta. No dia 20 de Novembro consegui fazer o programa completo do ARSGAMES 09 mas sábado já estava de partida. Vi o vídeo (machinima) do colectivo Les Riches Douaniers: ”Sonate pour la desesperance d’un petit heros”. Dei a minha conferência. Ouvi a conferência de Moisés Mañas da Univesidade Politécnica de Valencia, investigador no Laboratório Luz que funciona desde 1990. Uma apresentação interessante centrada nas instalações do laboratório de cariz interdisciplinar, uma raridade, segundo compreendi depois, em conversa com o autor, tanto em Portugal como em Espanha. Seguiu-se a mesa redonda com participação de José Luis de Vincente, Flavio Escribano e Javier Candeira, uma interessante mostra de projectos / exposições na área dos playable media. José Luis de Vicente mostrou o seu trabalho de coordenação no projecto ARCADIA, um espaço expositivo interactivo no centro de arte Laboral. Flavio Escribano reflectiu sobre a mostra, “Over the Game”, que organizou para o espaço Iniciarte. Finalmente, Javier Candeira apresentou “Estação Futuro”, uma experiência sobre jogos independentes no espaço do Matadero-Intermediae. No final das apresentações seguimos directamente para os concertos, dee-sign/addsensor e Wicked Wanda. Depois de umas ”canhas” acompanhadas por umas batatas fritas e torresmos fomos directamente para o hotel. O dia seguinte foi já um dia de viagem e infelizmente não pude assistir à mesa redonda que juntava Andreas Lange, Mathias Fuchs e Daphne Dragona.

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La Casa Encendida é um espaço inaugurado em 2003. Lara Sanchez Coteron ofereceu-me o catálogo da exposição “Try Again” organizada o ano passado neste espaço e que aborda a área dos playable media e dos jogos. No dia seguinte, voltei para casa com um saco cheio de especialidades espanholas, com a sensação boa de ter voltado de Madrid, como acontecia na minha infância e adolescência, quando Madrid já tinha muito mais a oferecer do que Lisboa. Depois, Lisboa despertou nos anos noventa e as coisas andavam melhor. Agora, parece que voltámos a “meter” a cabeça debaixo da areia. Por todo o lado, por lá, estão iniciativas que reflectem e aprofundam áreas que por cá nem se ouvem falar ou são coisas “nerd”. Os meus agradecimentos a Flavio Escribano pelo convite, acolhimento e viagem.

October 29th, 2009

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Este blog tem andado com falta de novidades e, por isso, vou fazer um condensado de reflexões, considerações, divagações… Tenho andado literalmente “entalada” em matéria de trabalho. O semestre a começar em força e a viagem ao Rio de Janeiro deixou-me bastante debilitada fisicamente por diversas razões. Este último fim-de-semana consegui, finalmente, fazer boas refeições e dormir profundamente horas suficientes para manter os níveis de adrenalina elevados. Passei a noite da véspera da viagem para o Rio de Janeiro a preparar a sinopse da minha próxima apresentação em Madrid. Nada melhor para ajudar a passar a noite, que já tinha que ser em branco, uma vez que a partida era de madrugada. Assim, no próximo dia 20 de Novembro vou apresentar a comunicação Beyond Art: Digital Aesthetics and Gameplay, advogando que: Gameplay is a core concept in digital aesthetics and can be helpful for us to understand how digital games are beyond art and is the best cultural artefact to speak about digital aesthetics. Taking into account Brian Sutton-Smith statement: “where once art was at the center of moral existence, it now seems possible that play, given all its variable meanings, given the imaginary, will have that central role” (Sutton-Smith, 1997: 144), this presentation will focus on art games, retro games and machinima but also games from the industry to express some perspectives about gameplay and aesthetics. Tenho uma hora para defender esta tese. Mais informações aqui e aqui. Agradeço, desde já, o convite que me foi endereçado por Flavio Escribano do Ars Games, redefining arts & videogames, para participar neste evento: Game Art & Game Studies International Festival.

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No avião para o Rio conheci uma suíça que se sentou ao meu lado devido ao frio gelado do ar condicionado. Bastante simpática mas algo preocupada com as férias que tinha escolhido no Brasil, tudo por causa da segurança. Trocámos algumas ideias e penso que terá ficado mais descansada. Suspeito que existe alguma relação entre o arrefecimento dos aviões e a gripe A pois na semana anterior o P. voou para São Paulo e queixou-se do mesmo problema. Mas nada que possa provar, portanto, mais vale abandonar o assunto. A viagem foi pacífica mas no avião presenciei duas quedas em “poços” de ar daquelas coisas que deixam qualquer pessoa nervosa. Fiquei muda e hirta a olhar para a Monique que teve a mesma reacção que eu. O modelo do avião da Ibéria, onde viajei, não tinha ecrãs de vídeo e jogos individuais pelo que qualquer hipótese de ver filmes ficou logo gorada. Como não estava capacitada para ler acabei a dormitar de forma intermitente.

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Cheguei ao Rio de Janeiro era noite cerrada e a procura de um táxi foi no mínimo hilariante. Cinco senhoras gritam aos turistas, dos quatro ou cinco guichés disponíveis no aeroporto, a oferecer os serviços de táxi. Depois, é só pagar e procurar o táxi que nos calhou na rifa. No meu caso, um rapaz veio ter comigo mas claro que, bem desconfiada, não lhe passei a mala para a mão sem confirmar a cor do veículo que tinha ao meu dispor. O código era: frota azul, vermelha, preta ou prata. A frase queria dizer pouco e o sistema é totalmente falível mas o rapaz ainda teve que me apresentar o logótipo na camisa. Lá “embarquei”, com um senhor de idade, bastante simpático, e passei por uma fila de trânsito assinalável até chegar ao Rio. As favelas vão desfilando e à noite o cenário é mesmo fantasmagórico.

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Chegar ao hotel em Copacabana foi um conforto imenso e adormeci depois de devorar o resto de uma sandes que trazia comigo desde madrugada. Na manhã seguinte, debaixo de chuva, lá fui até à PUC, de táxi, tentar regularizar a minha inscrição, e a de um colega, no simpósio, uma vez que em Lisboa tinha sido impossível a Universidade fazê-lo pois a organização não aceitava transferências bancárias. Iniciei a minha escalada pelo surrealismo… O evento também não aceitava pagamentos Visa e nenhum dos bancos, Santander, Itaú, Banco do Brasil, entre outros, no interior da universidade, permitia o levantamento com cartões Visa. Depois de “implorar” aos “capangas” da segurança dos bancos inúmeras vezes para entrar nas suas dependências no sentido de verificar outras possibilidades, lá percebi que tinha que ir chorar a minha entrada naquele dia e voltar lá no dia seguinte com a quantia da inscrição em dinheiro. Ora, andar com dinheiro “vivo” no Brasil é quase tão mau quanto andar com um Visa Electron mas o P. chegava no dia seguinte e seria a minha salvação porque, para mim, ir procurar um banco em Copacabana e andar por ali a testar levantamentos era impensável. Aprendi, nos meses de estada em São Paulo durante três anos, que há coisas no Brasil que só se fazem quando têm mesmo que ser feitas e a organização tinha que resolver a minha situação senão ficavam sem “palestrante” por vinte minutos. Assim aconteceu. Fui ao balcão de atendimento do Sbgames 09 e convenci a senhora a dar-me acesso nesse dia que voltava lá no dia seguinte para fazer o pagamento. Nesta fase já tinha lutado comigo própria, e com os meus nervos, muitas vezes, e permanecer, a apanhar chuva, entre cá e lá, nos edifícios da PUC, a resolver coisas insensatas, foi suficiente para ter vontade de abortar a missão mas, finalmente, lá me aguentei.

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Depois, quando olhei para o mapa, com os vários sítios dos eventos, que finalmente me forneceram juntamente com o crachá mas sem os restantes materiais, percebi que encontrar o lugar onde teria que estar ia ser mais uma aventura. Perguntei, perguntei, ninguém sabia de nada… até que, finalmente, depois de muita subida e descida de escadas lá cheguei. Tinha imenso tempo mas decidi não arredar pé pois começava a sentir os efeitos do jet lag. No espaço das apresentações estava a decorrer outro evento qualquer e a sala estava ainda cheia. Fui logo avisada que aquilo ia atrasar bastante mas, nesta altura, já estava pacificada à espera da hora de cumprir a missão e de me “pisgar” para o hotel. O resto da tarde decorreu dentro da normalidade num evento destes. Encontrei a Lynn Alves e conheci dois portugueses da Universidade de Coimbra que, muito simpáticos, me vieram avisar que estava tudo atrasado. Falei, recebi felicitações, ouvi as outras intervenções e, por volta das 19h, decidi regressar ao hotel pois já não aguentava estar mais tempo sentada depois do voo da véspera. Decidi abandonar a sala cedo demais segundo percebi mais tarde. Perante uma noite cerrada e muita chuva, pedi ao porteiro da universidade para me arranjar um táxi. Enviou-me para uma fila de pessoas enorme e, claro, momentos depois pude constatar que só arranjava táxis às pessoas que conhecia enquanto nós, na bicha, os víamos passar à nossa frente. Apanhei uma molha, esperei uma hora e, o pior, estava bastante frio e eu não estava assim muito agasalhada.

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Quando cheguei ao hotel dei 4 reais de gorjeta ao taxista que me levou com bastante rapidez e empenho da Gávea a Copacabana, uns 40 minutos, estava tudo parado… Fui num carro a cair de podre mas com uma excelente banda sonora. O senhor sorriu nitidamente perante o exagero da minha gorjeta e disse-me que o problema daquele dia é que as ruas estavam todas entupidas devido à chuva que não parava. Cheguei ao hotel e pedi uma deliciosa canja, como só os brasileiros fazem e que é quase tão boa quanto a nossa, hehehe, e uma “pasta”. Tudo no quarto. Não tinha energia para sair e adormeci a ouvir as notícias.

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Sexta-feira, dia 9 de Outubro, o P. chegou de São Paulo logo às dez da manhã e foi regularizar as coisas comigo à PUC. Fui mostrar-lhe as instalações e o refeitório da Universidade e tentei falar com algumas pessoas da organização, em vão, ninguém sabia onde estavam ou quem eram. O mesmo “número” da véspera. Continuava a chover copiosamente e por isso comprámos umas pastas para proteger os materiais da inscrição. Falámos com dois “rapazes” da Trinigy (GmbH e Brasil) e circulámos por lá. O regresso ao hotel foi mais fácil porque ainda era dia e à noite fomos jantar a um restaurante tradicional japonês, Azumi, nas redondezas do hotel. Uma experiência gastronómica que recomendo vivamente para quem foi ou vai ao Rio de Janeiro. Ainda nos sentámos no bar do rés-do-chão do nosso hotel antes de deitar mas o ambiente não era muito recomendável. Pelo que me dizem, acho que é assim em Copacabana por todo o lado, e logo nos lembrámos porque é que da outra vez tínhamos ficado em Ipanema, com a favela muito mais presente, mas sem esta aura decadente de droga e prostituição. O hotel era de um “padrão” elevado, como dizem os brasileiros, escolhido “a dedo” e nada barato e mesmo assim… Nesta fase, e depois de várias viagens pelo Brasil, já interiorizei bem o verdadeiro significado da expressão “gato-por-lebre”. Em poucos minutos conseguimos ver um ataque de prostitutas aos turistas do nosso hotel, a tentativa do porteiro bloquear a entrada das referidas senhoras no lobby deste, uma passagem de droga… Nunca tinha visto nada tão descarado na vida. Um rapaz foi embaraçosamente assaltado por uma senhora que lhe começou a disparar beijos na cara e na boca e o mesmo, estupefacto, teve que a enxotar, sem dó nem piedade. Deprimente q. b..

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No dia seguinte, ainda debaixo de chuva, fomos visitar o MAM, Museu de Arte Moderna, e vimos umas exposições interessantes. Jantámos no restaurante do hotel, com uma vista maravilhosa da praia deserta, devido ao mau tempo, de Copacabana. Na manhã seguinte tomámos o pequeno-almoço com um casal de amigos de São Paulo e partimos para o aeroporto. O taxista que nos levou disse-nos que não tinha memória de ver tanta chuva seguida no Rio de Janeiro. Só na manhã da partida é que fez sol. A minha segunda ida a esta cidade fez-me pensar em algumas coisas relativamente a São Paulo: no Rio de Janeiro os “sucos” de fruta são mais frequentes e melhores; o Rio fica muito mais bonito sem gente por todo o lado e a praia parece mágica vazia mas, a cidade sendo muito mais charmosa que São Paulo, continua, para mim, sem a mesma magia, talvez devido aos negócios… Em São Paulo parece haver uma cultura de maior exigência; o Rio de Janeiro é mais cosmopolita, afirma-se como a capital cultural do Brasil, será que é? O turismo dá-lhe vida, sem dúvida, mas parece em muitas coisas uma cidade provinciana. Ok, confesso. Para mim nunca será uma metrópole maravilhosa e estava à espera de ver muito mais entusiasmo em relação aos Jogos Olímpicos de 2016. Acho que as pessoas percebem bem os inúmeros problemas que têm pela frente e devem ainda estar aterradas com a perspectiva. O aeroporto é um evidente espelho da cidade e a cena dos balcões de táxis, com as diversas senhoras aos berros à cata do cliente, é tão surreal que parece que chegámos ao fim do mundo. Não sei se é porque não tenho muita sorte com as minhas viagens ao Rio de Janeiro, se a cidade é apenas algo superficial para mim ou, se tudo me escapa sempre porque São Paulo é, de facto, mais interessante na sua estrutura caótica. A viagem ao Rio teve o efeito de me levar de volta a São Paulo. As fotografias do Rio de Janeiro foram todas tiradas em 2003, com sol. As fotografias em baixo são de São Paulo, uma cidade onde vivi uns tempos e onde um dia vou voltar.

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Em Madrid fiquei cinco horas à espera do próximo voo para Lisboa e chegar a casa foi um alívio. No dia seguinte tinha aulas para dar. Os meus agradecimentos à Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (projecto infomedia) por ter financiado o meu bilhete de avião para o Brasil.

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October 6th, 2009

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Algumas sugestões para os próximos dias. Acontecimentos aliciantes em Lisboa e no Porto na área das artes interactivas. Agradeço desde já todas as sugestões e aqui fica um roteiro pelo mundo das artes digitais na próxima semana. Infelizmente, porque vou partir, não poderei ir ver amanhã e depois o espectáculo “.TXT” no Museu do Oriente. No entanto, recomendo vivamente esta performance que já tive o prazer de ver em edições anteriores na Culturgest e no Festival Interparla, Madrid. O espectáculo, agora na sua versão final, é “uma obra performativa interactiva mediada por várias tecnologias sensoriais que explora formas de linguagens artísticas transversais contemporâneas. O resultado é um vocabulário singular que se articula fisicamente, por intermédio de paisagens sonoras interactivas, composições visuais e coreografia em tempo real, as quais representam um manancial de expressões artísticas que sustentam a intenção dramatúrgica.” Mais informações aqui.

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O Festival Future Places decorre no Porto entre 13 e 17 de Outubro e o programa está recheado de workshops, concertos e comunicações. Esta edição tem programação de Heitor Alvelos e Karen Gustafson e é um lugar de encontro que propõe uma questão: “if digital media can do so much for global communication, knowledge and creativity, how can it contribute to local cultural development? October 2008 marks the start of this challenge. After the success of the first edition in 2008, where we surveyed current successful projects from very diverse backgrounds and fields of knowledge, FUTURE PLACES will dedicate its 2009 edition to strategic approaches”. Mais informações no site do festival aqui.

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Pela minha parte vou partir para o Rio de Janeiro na quarta-feira de madrugada para fazer a comunicação “Identidades em continuum, design de sistemas inclusivos nos MMORPGs”, no SBGames 2009, VIII Simpósio Brasileiro de Jogos e Entretenimento Digital na Puc, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Sob o lema da convergência vou falar sobre género no âmbito dos jogos digitais sugerindo a necessidade de pensar questões relacionadas com o design inclusivo, i.e., design de sistemas que tenham em consideração inúmeras variáveis na sua construção: inclusão de diversas tipologias de jogabilidade, de várias comunidades de gamers e, finalmente, que assentam em movimentos pela paridade de género. Depois de um “estado da arte” sobre o tema, que se centra em investigações existentes nesta matéria provenientes da Ásia e da América, vou focar questões associadas ao design para múltiplos participantes on-line. Antes de me despedir, sniff… sniff… gostava de felicitar o Rio pela recente conquista dos Jogos Olímpicos de 2016. Só fui a esta cidade uma vez em 2003 com o P. e, sinceramente, a viagem de carro na altura, de São Paulo ao Rio de Janeiro, foi tão desgastante que acabei por me sentir sempre oprimida na cidade. Conseguimos passar por várias experiências inquietantes: vimos corpos baleados no chão numa estação de serviço, a polícia mandou parar o nosso carro para perguntar de tínhamos armas e, finalmente, a relação entre a favela e os hotéis e apartamentos do centro pareceu-me tão presente que tudo aquilo me fez sentir desconfortável. Espero gostar mais desta vez. Até ao meu regresso!

September 23rd, 2009

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September 23rd, 2009

TALLINN OU LISBOA?_AGOSTO 09

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Fomos para Tallinn de barco a partir de Helsínquia e chegar ao porto de desembargue é uma sensação bizarra e desoladora. É verdade que estávamos no penúltimo dia de viagem pelo que uma certa nostalgia contaminava certamente o nosso espírito. Ao longe, ainda no barco, deparámos com as casas de várias cores alinhadas na horizontal mas a paisagem circundante é no mínimo angustiante devido ao aspecto abandonado a que a costa da cidade está votada. A linha do mar é acompanhada por uma mancha de edifícios degradados e tudo está agora voltado de costas para o mar. O pontão onde chegámos deve ter sido noutros tempos um sumptuoso restaurante, gigantesco, talvez arquitectura russa agora destruída e cheia de graffitis sem personalidade nenhuma. Um par de namorados pontuava, aqui e ali, um cenário de turistas que se dirigiam em manada para o centro da cidade. Passámos pelo outrora museu de arte contemporânea com as duas esculturas-cabeças e, com o céu cerrado, o frio e a ideia de final de férias, depois de uma viagem de barco bastante agradável de hora e meia, o panorama geral de Tallinn pareceu-me triste.

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O centro da cidade é outra coisa, está mais arranjado e é muito bonito, mas estive sempre com a sensação que tinha voltado a Lisboa nos anos oitenta. Sentámo-nos num bar do centro, onde as pessoas fumavam cachimbo (narguilé) e lembrei-me várias vezes do Bairro Alto dos anos oitenta e início dos noventa, quando tudo ainda era underground, secreto e se sentia no ar um ambiente de liberdade adolescente. Mas o centro é muito turístico e os preços acompanham a entrada da Estónia para a União Europeia em 2004. Almoçamos pessimamente a preços desconcertantes. A “sociedade secreta” de Tallinn escapou-me completamente e achei o ambiente estranho. Ficou tudo por conhecer mas ainda deambulámos por um centro comercial e pelas redondezas da zona histórica para ver se percebíamos alguma coisa. No futuro Tallinn talvez fique uma cidade maravilhosa, tem tudo para isso, mas por agora a pobreza faz-se sentir demasiado, principalmente para quem vem de Helsínquia. Acho que o que mais me incomodou em Tallinn foi a consciência de que ia regressar a Lisboa e perceber como ia estar tão longe da limpeza das cidades da Finlândia e de São Petersburgo. Tallinn trouxe-me o sentimento da “realidade” e por isso no porto antecipámos o nosso regresso a Helsínquia para duas horas antes. Queríamos viver mais um pouco o paraíso de Helsínquia e Tallinn parecia demasiado real naquele momento, demasiado próximo.

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Cheguei a Lisboa no final de Agosto. No início de Setembro li a crónica da Inês Pedrosa na revista Única do jornal Expresso sobre os procedimentos do hospital de Santa Maria em relação a uma infeliz rapariga violada. Segundo aqui se revela, a pobre rapariga esteve onze horas à espera de uma zaragatoa, uma vergonha que me deixou boquiaberta e que mostra bem o funcionamento actual dos serviços públicos. Na minha rua assisti a inúmeras cenas de histeria desenfreada, berros como se toda a gente andasse zangada e quisesse que os outros o sentissem. No supermercado, ali para os lados da Praça do Chile, assisti ao assalto de uma garrafa de água de 33 cl. Num outro dia, passámos, eu e o P., por um dos sem-abrigo residentes aqui no bairro, no centro de Lisboa na zona da Alameda, a mijar a dois passos do restaurante local e a mais dois passos do sítio onde dorme… foi de tal ordem embaraçoso que o rapaz até se sentiu na obrigação de nos pedir desculpa. Com a mesma mão com a qual fumava um cigarro, a cair de bêbado, e a mijar na via pública com a outra mão. A calçada da cidade está tão imunda que cheira mal e o chão encardido cola nos pés quando andamos. As beatas andam por todo lado, atiradas ao piparote pelos fumadores que acham que a rua é equivalente a lixeira pública. Finalmente, anos depois do prometido, o troço de ligação das duas linhas de metro, azul e vermelha, está concluído mas a cidade de Lisboa é uma lixeira cheia de edifícios degradados e não entrou para a comunidade europeia em 2004… Tallinn lembrou-me que ia regressar para umas eleições onde todos são culpados mas ninguém tem a culpa. Tallinn lembrou-me Lisboa. Houve ali um efeito fantasma que não sou capaz de desvendar mas as férias estavam a acabar.

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September 22nd, 2009

SÃO PETERSBURGO_ UMA CIDADE IMPERIAL_AGOSTO 09

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São Petersburgo é uma cidade feita por imperadores para imperadores. Não parece real mas antes uma gigante maqueta de cartão muito bem iluminada. A cidade é lindíssima. Quando chegámos ao aeroporto, bastante degradado, pensei que o ambiente geral poderia reflectir o mesmo estado decadente, mas não, as ruas são muito limpas e a pouco e pouco os edifícios estão a ser restaurados e iluminados. À noite a vista é inacreditável, soberba. Como não pensar nos escritores e nas obras da literatura russa: Leo Tolstoy, Fyodor Dostoevsky, Vladimir Nabokov, para citar apenas alguns que me assombraram a adolescência. Em cada esquina Anna Karenina. No primeiro dia, depois de instalados no nosso paraíso hoteleiro (o qual não vou revelar pois a Rússia em breve será inundada pelas oportunidades booking.com mas por enquanto ainda tem alguns esconderijos) fomos jantar a um restaurante muito curioso, Russian Kitsch. Este espaço foi criado nos tempos da Perestroika, junto ao Rio Neva, e aqui é possível apreciar Brezhnev a beijar Fidel Castro num fresco do tecto, aqui as tonalidades multicolor associam-se a sofás forrados de estofos de leopardo e a bugigangas das mais diversas proveniências. Toda esta encenação se mistura com uma ementa deliciosa e um serviço muito sofisticado. O sítio é enorme, tem seis salas incluindo zona de discoteca. Voltámos lá mais tarde para almoçar, saborear novamente a deliciosa sopa borsch e provar uns deliciosos pelmeni sentados com os olhos voltados para um outro cenário, do outro lado do rio.

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O Russo é impenetrável mas pelo menos dá para compreender a forma como se dizem as palavras e tentar reproduzir com a sonoridade certa. Na Finlândia isso é mais difícil… não se percebe nada de nada para além de “ravintola”… reproduzir é impossível, muito diferente da familiaridade que temos, por exemplo, com o sueco. Na Rússia em pouco tempo o “ravintola” passou a “pectopah” (restaurante) e lá nos fomos progressivamente habituando aos “spacebo”, “niet”, entre outros. Eu pessoalmente achei os russos pouco simpáticos, bastante altivos e sofisticados, algo impenetráveis. O P. também achou o mesmo. Penso que é ainda pior para quem vem da Finlândia, porque os finlandeses são de facto muito amáveis e educados. Contudo, na Rússia não tivemos problemas nenhuns de assinalar, não nos chatearam com nada, mas a ida a este país reveste-se de coisas complicadas, desde o visto à marcação do hotel. No entanto, passado o embate de se perceber que ali tudo tem preços um bocado disparatados a experiência vale mesmo a pena e dentro de poucos anos as coisas vão certamente mudar nesta matéria.

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Em São Petersburgo fizemos um passeio de barco pelos canais e deambulámos pelas ruas do centro. Visitámos, em conjunto com hordas imensas de turistas, o Hermitage. O museu vale a pena pelo palácio, pelas obras mas passar lá quatro horas é tão cansativo como uma ida de duas horas a um centro comercial. Os grupos de turistas às manadas sucedem-se: um grupo de portucallo, dois casais de francia… italianos por todo o lado, aos berros. Espanhóis com fartura, todos a falar demasiado alto… ver os dois exemplares do Leonardo da Vinci assim é de deitar as mãos às orelhas mas vale a pena andar por ali a sentir aquele espaço sumptuoso e imperial. Ao fim de algumas horas tudo aquilo começa de facto a exasperar e temos que sair, estafados, com aquela multidão.

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A comida russa é deliciosa, principalmente as sopas. Jantámos num curioso restaurante típico na praça Bolshoy, Na Zdorovie!, num restaurante da Geórgia, Tbiliso, nos cafés comemos panquecas e ao pequeno-almoço deliciámo-nos com fatias de peixe fumado, fruta e outras iguarias. Visitámos o terraço do Ginza Project, um centro comercial ainda em construção com um restaurante no topo, fomos apenas ver a vista de São Petersburgo a partir daquele lugar estratégico. Por todo o lado há noivas, limousines e fotógrafos a pontuar o cenário de conto de fadas. O museu de zoologia foi uma surpresa. Espécimes embalsamados de centenas de animais, um cenário de relicário, gabinete de coleccionador como aqueles que deram azo aos museus e que estudei em museologia no quinto ano das belas artes. O museu é mesmo curioso com o mamute encontrado na Sibéria no início do século passado. Fiquei com a sensação que um dia ia voltar a São Petersburgo mas nunca se sabe. Adorei sentir aquela cidade horizontal, com uma escala tão imperial e onde o tempo muda inúmeras vezes.

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September 21st, 2009

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September 19th, 2009

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September 17th, 2009

DE CARRO PELA FINLÂNDIA_AGOSTO 09

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A viagem pela Finlândia correu bastante bem. Como tudo o que se reserva no booking.com ou através da rede, em lugares reconhecidos, está pronto a horas e no dia certo. Assim, à hora marcada lá estava, no Eurocar do aeroporto, quando regressámos de São Petersburgo, o nosso carro preparado para seguir viagem. Curioso é que ninguém vai ver no final do percurso se está tudo em condições, acreditam e confiam que deixámos tudo no lugar e é só estacionar no parque, entregar as chaves e garantir que o depósito está cheio. Nem no Canadá. A rede possibilita hoje uma experiência bem distinta de viagem, isto associado à geração Lonely Planet, ajuda bastante a tornar tudo mais fácil e permite ao viajante usufruir de oportunidades únicas. Por um lado, o facto dos guias Lonely Planet serem gerados de forma participativa, várias pessoas contribuem com entradas como no caso, por exemplo, da Wikipedia, oferece logo um panorama mais vasto que sofre revisões contínuas. Por outro, as reviews dos hóspedes que ficam nos espaços raramente enganam muito. Estes processos estão a transformar bastante a nossa forma de viajar e têm tão poucos anos… dei comigo a pensar nestes sistemas de catalogação como algo de realmente surpreendente e que se aplica de forma generalizada a toda a nossa experiência. Dos livros, à música aos bilhetes de comboio. A verdade é que hoje através da Web reservamos tudo: bilhetes de avião, carros, vouchers de museu, hotéis… O nosso voucher para o Hermitage foi comprado on-line e nem dá para acreditar o drama que teria sido se assim não fosse. Arriscávamos umas quatro a cinco horas de fila só para entrar no museu mas isso fica para depois. Graças ao Lonely Planet e à perseverança do P. saímos de cá com dois bilhetes electrónicos que nos permitiram escapar a tal infortúnio.

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Do aeroporto seguimos para a cidade de Tampere onde ficámos literalmente surpreendidos pois embora já tivéssemos ouvido falar bastante da Universidade não estávamos à espera de encontrar uma cidade tão encantadora. Um lugar mágico que, ao que parece, agrada bastante aos ingleses que vão lá de propósito passar o fim-de-semana por causa dos bares, esplanadas e da vida nocturna em geral. Aqui, visitámos o centro da cidade e, no regresso, ficámos mais uma noite para ver o Rupriikki Media Museum, situado numa antiga fábrica de algodão (Finlayson Factory) e colado ao TR1 (exhibition centre of the visual arts), e jantar uma vez mais neste lugar. Felizmente o fizemos pois a exposição permanente do Rupriikki Media Museum apresenta uma curiosa mostra que faz a história da comunicação desde a invenção da escrita até aos mais recentes desenvolvimentos tecnológicos. Com uma dimensão bastante reduzida o museu surpreende pelas originais ideias expositivas. O TR1 (exhibition centre of the visual arts) estava fechado para montagem da próxima exposição. Em matéria gustativa também tivemos duas boas experiências, uma delas numa cervejaria típica nórdica na área da Finlayson Factory outra no restaurante Viking Harald. Nesta “ravintola” ficámos deliciados com a ementa e, no final, comemos dois gelados divinos que não conseguimos qualificar… um dos quais sabia a “lareira”, o outro, era uma mistura de frutos silvestres (blue and black berries) como nunca tínhamos experimentado. A ementa trazia uma narrativa bastante cómica sobre a história dos Vikings, do Harald e da sua mulher Helga.

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Seguimos caminho para Oulu, no norte da Finlândia, e nesta altura já sabíamos que muito dificilmente chegaríamos à Lapónia. Até Tampere há auto-estrada depois há apenas estradas nacionais o que implica andar a uma velocidade média entre os 80 e os 100 quilómetros por hora. Ora, como há radares em todo o lado e a multa por fumar um cigarro dentro de um carro alugado é 200 Euros dá para imaginar o que será ultrapassar essa velocidade. Bastante elucidativo principalmente para quem quer comparações com as estradas portuguesas. Resultado: na Finlândia, segundo nos fomos apercebendo, ninguém anda depressa. 

No caminho para Oulu fizemos um desvio para ir ver a obra urbanística e arquitectónica de Alvar Aalto em Seinajoki. Na igreja, desenhada por Aalto, disseram-nos que podíamos subir à torre do relógio para apreciar o deslumbrante plano urbanístico das redondezas. Numa bomba de gasolina, no caminho até Oulu, encontrei os Musts da Malaco, umas gomas negras deliciosas para mascar. Ai que saudades!

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Chegámos a Oulu no último dia de um Festival Rock e o centro da cidade estava “inundado” de gente. Mais uma cidade bastante confortável, organizada, limpa e onde as pessoas transpiram equilíbrio e felicidade. Sem histeria e sem complicações. Bicicletas, parques e carros de crianças por todo o lado. Aqui lembrei-me definitivamente dos meus três meses em Copenhaga, da ida a Malmo na Suécia e a Oslo na Noruega. Já sabia que há algo nos países nórdicos que nos escapa, uma forma de pensar em termos do bem comum, uma paz que parece uma miragem. Em três meses senti isso na Dinamarca e agora voltei a sentir na Finlândia. Em Oulu provei a deliciosa e típica sopa de salmão, prato principal, num confortável restaurante local. Fomos ainda jantar a um outro óptimo restaurante onde o serviço era excelente. Na rua, um casal, perguntou-nos se precisávamos de ajuda pois estávamos a consultar o mapa, tinham passado quinze dias de férias nos Açores este Verão. Na sauna conheci uma senhora de sessenta e muitos anos que me contou algumas coisas curiosas da cultura da Finlândia. 

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No regresso de carro a Helsínquia ainda passámos por Kuopio mas à primeira vista achámos a cidade desinteressante e seguimos caminho para Savonlinna, um sitio muito bonito mas onde a época balnear tinha acabado há aproximadamente dez dias. Tudo parecia encerrado, ou em vias de encerrar, com uma alargada comunidade da terceira idade o que, por ser tão evidente, dava ao ambiente uma atmosfera estranha e, por vezes, nostálgica. Parecia que tínhamos chegado a uma qualquer montanha mágica, um sanatório ou outro lugar onde transferiam as pessoas idosas. Tudo algo fantasmagórico e ao mesmo tempo excessivamente bonito, com a vista do Castelo a pontuar o cenário bucólico, e logo percebemos que a noite ali ia custar cara. Ficámos, de facto, numa cama de “hospital”, mesmo no “albergue” Casino, um dos mais recomendados do guia. Enfim, fora a sensação de injustiça por pagar 85 Euros por um quarto asseado, de duas camas e com uma casa de banho de aspecto miserável, o exterior era inesquecível e afinal, a noite valeu a pena pois de manhã pudemos apanhar o barco e dar um passeio magnífico pelas redondezas. Também este percurso de barco encerrava no final de Agosto e connosco viajaram mais quatro pessoas, o resto fazia parte da tripulação. Acho que foi a experiência mais estranha de toda a viagem, quando saímos de Savonlinna dava a sensação que tínhamos estado em Twilight Zone.

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September 16th, 2009

FINLÂNDIA_ICONOGRAFIAS

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